Mais um indicador divulgado ontem sugere que a indústria entrou no terceiro trimestre em ritmo fraco. Com a perda de fôlego da produção e das novas encomendas, o Índice Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do HSBC ficou em 51,8 em julho, abaixo dos 52,7 do mês anterior, feito o ajuste sazonal.
"O resultado indica uma expansão fraca, moderada, da indústria em julho", diz o economista-chefe do HSBC, André Loes. Quando o indicador fica acima de 50, a interpretação é de alta na atividade da indústria; quando fica abaixo, a leitura é de queda.
O PMI funciona como um termômetro da atividade industrial, baseado numa pesquisa mensal com executivos de cerca de 400 empresas, que respondem sobre itens como produção, encomendas, emprego, pedidos de exportação, estoques e preços de bens finais e de insumos.
Loes destaca o recuo dos indicadores de produção e de novas encomendas. Segundo ele, são os mais relevantes para uma aproximação do comportamento da Produção Industrial Mensal (PIM) do IBGE. No PMI de julho, a produção atingiu 51,5, consideravelmente abaixo dos 53,1 do mês anterior. No caso das novas encomendas, houve queda de 53,4 em junho para 51,8 em julho. Loes observa que a desaceleração dos pedidos indica um cenário não muito favorável para a produção no mês seguinte.
Para ele, a falta de fôlego da indústria se deve principalmente ao fato de que houve antecipação de consumo ocorrida no começo do ano. A iminência do fim dos tributos reduzidos para veículos e eletrodomésticos da linha branca provocou uma corrida às compras no primeiro trimestre, o que levou as empresas a antecipar a produção. Agora, as companhias se ajustam a um novo nível de atividade.
Loes também ressalta a queda no indicador de novas encomendas de exportação. Ele ficou em 48,9 - abaixo de 50, o que sugere de fato uma contração. "Foi a terceira queda mensal dos últimos quatro meses, evidenciando a fraqueza da demanda externa."
O indicador de emprego foi outro que perdeu força, passando de 52,2 em junho para 51,9 em julho. O número sugere que a indústria continuou a contratar, mas a um ritmo mais lento.
Segundo ele, o resultado geral do PMI aponta para uma alta fraca da indústria em julho. "Vamos ver agora se outros indicadores como a produção de automóveis, o fluxo de veículos pesados e a expedição de papelão ondulado confirmam ou não a direção do PMI", diz Loes. Em junho, o PMI ficou em 52,7, também sugerindo uma expansão modesta da produção industrial, mas o desempenho de outros indicadores foram na direção contrária. Loes estima que, em junho, a indústria caiu 1,9% em relação a maio. O número será divulgado hoje pelo IBGE
Fonte - Valor Econômico
terça-feira, 3 de agosto de 2010
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