No dia 21 de julho, ao mesmo tempo em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgava que a taxa básica de juros (Selic) subiria pela terceira vez consecutiva, para 10,75%, saia a notícia de que a atividade industrial também se desacelerava e preocupava os empresários.
De lá para cá, alguns índices põem em xeque a decisão do BC, se a dose do remédio não foi além da conta: a atividade industrial está desacelerada e os indicadores que medem a inflação têm ficado bem perto do zero, e com vários itens com recuo de preços. Um relatório do Ipea, divulgado na terça-feira, 10, mostra a tendência de redução da inflação. No documento, o economista Roberto Messenberg, considera precipitada a decisão do BC de aumentar a taxa básica de juros da economia.
Logo após o BC ter decidido sobre a Selic, o Portal EconomiaSC ouviu a avaliação de representantes setoriais. Agora, três semanas depois, para saber o impacto que essa nova alta dos juros terá na economia dentro de alguns meses, já projetando um crescimento menor em 2011, o EconomiaSC volta a ouvir diferentes setores da economia catarinense. Confira abaixo o que pensam os analistas.
José Álvaro Cardoso, diretor técnico do Dieese/SC
“Acredito que essa alta de juros possa, sim, ter um impacto negativo na atividade econômica lá na frente. O Copom exagerou ao aumentar novamente os juros, mesmo que abaixo do que era esperado (subiu 0,5 ponto percentual contra o esperado de 0,75p.p). A desaceleração da indústria no segundo trimestre colaborou para essa decisão também. Porém acredito que esse ciclo de aumentos na Selic venha a ser interrompido já na próxima reunião. A inflação, que é o que mais se teme, está caminhando para o centro da meta mesmo com o grande crescimento projetado para este ano. Não há mais necessidade de se subir os juros e penalizar a atividade produtiva.”
Paulo Guilhon, Presidente do Conselho Regional de Economia de SC
“O governo não toma jeito. A política de juros altos está fora de moda e inibe toda a atividade produtiva brasileira. É uma estratégia equivocada e que deve influenciar negativamente a produção. Em economia, todas as previsões são duvidosas já que não se trata de uma ciência exata e que é influenciada por diversos fatores. Mas o que se pode afirmar com certeza é que a política monetária atual é danosa, até mesmo na questão cambial, que prejudica os exportadores. Uma área que o governo poderia começar a mexer para gerar ganhos lá na frente é o corte de gastos públicos. Se a carga tributária caísse, o juro poderia descer junto.”
Fernando Seabra, Coordenador do Núcleo de Pesquisa em Economia e Finanças Internacionais da UFSC
“Das formas de se controlar a inflação, o aumento da taxa de juros ainda é a mais rápida e eficiente. Era de se esperar uma política cautelosa do governo em relação a isso em um ano de eleições. Controlar a inflação gera uma boa imagem, que se transforma em votos, mesmo que isso possa gerar efeitos negativos mais a frente. Porém eu acredito que o Brasil não pode mesmo manter esse ritmo de crescimento sem gerar uma pressão inflacionária devido aos gargalos de infraestrutura. Dessa forma, não pode se enxergar esse aumento de forma tão pessimista.”
Sérgio Faraco, Presidente do Conselho Regional de Contabilidade
“O governo não deveria mexer nos juros. O pretexto de segurar a inflação não se justifica já que ela estava caminhando naturalmente para dentro da meta, mesmo com o crescimento em alta. Os impactos poderão ser sentidos dentro de algum tempo. A questão dos juros, porém, é apenas um dos fatores que impedem um desenvolvimento pleno. Uma reforma tributária é inevitável. O governo arrecada cada vez mais e não se vê retorno. Essa arrecadação excessiva poderia estar circulando em forma de investimentos. Em vez de incentivar, estão estrangulando os micro e pequenos empresários.”
Portal economia SC
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário