Considerado por muitos como apenas um lamento, o alerta feito há anos pelos empresários brasileiros sobre os obstáculos para a produção industrial no país agora ganha comprovação através dos números. O estudo inédito da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos - Abimaq define o chamado Custo Brasil como um conjunto de fatores que tornam os produtos brasileiros 36,27% mais caros que os fabricados em países como a Alemanha e os Estados Unidos.
Entre os fatores que sabotam a competitividade brasileira estão o impacto dos juros sobre o capital de giro, os preços dos insumos básicos, impostos não recuperáveis na cadeia produtiva, encargos sociais e trabalhistas, logística, burocracia e custos de regulamentação, custos de investimento e custos de energia. O índice de 36,27% pode chegar a muito mais, porque existem outros fatores que encarecem a produção mas não puderam ser expressos em números para compor o índice.
Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento realizados nos últimos anos permitiram às empresas brasileiras dar um salto em termos de qualidade e condições de disputa com concorrentes de outros países. Das universidades brasileiras chegam pesquisas inovadoras que podem contribuir para o desenvolvimento industrial. Nas incubadoras, os empreendedores encontram o apoio necessário para enfrentar a fase inicial dos negócios, considerada a mais crítica.
Mas de nada adiantam as iniciativas de incentivo se, logo de cara, os produtos brasileiros já saem pelo menos 36,27% mais caros na corrida pela preferência do consumidor. Isso porque ainda a pesquisa da Abimaq fez a comparação sem considerar a China. Nesse caso, a estimativa é de que o Custo Brasil possa chegar aos 100%.
É importante lembrar que não são somente os empresários que são prejudicados pelo alto custo dos produtos brasileiros. Muitos empregos deixam de ser criados e muitos vagas também são fechadas quando não é possível competir no famigerado mercado global. Se as empresas produzem menos, também cai a arrecadação nos municípios, recursos que são usados para manter setores essenciais nas cidades. É um círculo que também acaba envolvendo o comércio, o setor de serviços, enfim, toda a cadeia produtiva brasileira. E exige medidas vindas de vários setores para que esse índice de 36,27% de desvantagem possa ser reduzido gradualmente.
Fonte: Jornal A Cidade de Rio Claro
quarta-feira, 10 de março de 2010
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