quarta-feira, 15 de setembro de 2010

SC busca reutilização da areia empregada do processo de fundição

A areia é utilizada para dar molde às peças durante o processo de fundição nas indústrias. Em Santa Catarina, o polo metal-mecânico de Joinville é a região que mais se utiliza do material. Atualmente, uma parte da areia que é utilizada no processo de fundição vai parar em aterros industriais como resíduo.
Uma reunião nesta quinta-feira, na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), tentou mostrar alternativas na reutilização desse recurso. Segundo a legislação atual, a areia de fundição já pode ser utilizada em processos geotécnicos como a mistura asfáltica para construção de estradas, a produção de artefatos de cimento e a cobertura de aterros. Porém é possível ainda mais.
“O desafio agora é mostrar que a areia de fundição também pode ser usada na agricultura e na correção de solos”, diz José Lourival Magri, presidente da Câmara da Qualidade Ambiental da Fiesc. Para exemplificar, o pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), José Ângelo Rebelo, apresentou seu estudo na produção de alfaces e cenouras se utilizando de areia de fundição da indústria Tupy.
“Cerca de 17% da areia utilizada nos processos de fundição no Brasil vai para aterros industriais, porém esse é um material que poderia ter outros usos e as pesquisas atuais têm ajudado a desmitificar uma série de inverdades que pairam por aí”, conta Rebelo. Segundo o pesquisador, a areia de fundição não é contaminada durante o processo onde entra em contato com metais pesados.
Caso americano
Nos Estados Unidos, a legislação de alguns estados permite que a areia de fundição seja usada em processos de agricultura, cobertura e correção de solos. Segundo o pesquisador americano Robert Dungan, o consumo de alimentos produzidos com a utilização de areia das indústrias não traz perigos à saúde humana.
“A composição química (da areia) é praticamente a mesma encontrada nos solos. Às vezes, se encontra até mais metais no solo do que no próprio material. Logo, além de ajudar na produção, a areia atua também na correção do solo”, diz Dungan.
O professor Dungan ajudou na produção de um documento lançado pela Unidade de Proteção Ambiental Americana (EPA, na sigla em inglês) que ajuda a conscientizar a população e apoia o reuso da areia utilizada nos processos industriais.
O pesquisador Rebelo concorda, porém afirma que a utilização precisa ser estudada caso a caso. “É semelhante ao caso de algumas substâncias: a diferença entre o veneno e o remédio está na dosagem”, afirma. Segundo ele, as pesquisas vão levar naturalmente a uma legislação que libere o uso da areia de fundição para uso na agricultura com as devidas ressalvas.
A importância do debate
Para Magri, da Fiesc, eventos como esse ajudam a elevar o nível do debate, pois congregam todas as entidades que podem se beneficiar do processo de reutilização da areia de fundição: indústrias, pesquisadores e órgãos reguladores. Ele destaca também o papel inovador da indústria catarinense. “Se sugeríssemos essa mesma coisa dez anos atrás, seria um desastre. Seríamos achincalhados”, conta.
Ele finaliza sugerindo o uso consciente do material já disponível para que deixe de ser mais um passivo ambiental. “Reutilizar significa também evitar que novas reservas sejam tiradas da natureza. (A areia) é um bem que deve ser usado de forma sustentável. Não se pode simplesmente descartá-la após o uso”.
Fonte: Portal Economia SC

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