Metal-mecânica em Joinville, têxtil no Vale do Itajaí, cerâmica no Sul do Estado, agroindústria no Oeste, extrativista na Serra... Sob diferentes facetas, a indústria catarinense mostra sua pujança. O resultado pode ser visto no quanto ela representa para a economia, com 35,7% de participação no PIB catarinense. A média nacional é 27,8%. Os dados são da Secretaria de Planejamento do governo do Estado e revelam que Santa Catarina é o Estado brasileiro onde, percentualmente, a indústria mais contribui no bolo econômico. Em São Paulo, segundo no ranking, a indústria participa com 33,7% na economia do Estado
Em níveis relativos, Santa Catarina está à frente de estados com alto nível industrial, tais como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Uma das razões é histórica. “O empreendedorismo e a inovação são características catarinenses desde a sua colonização. O desenvolvimento da região de Blumenau é um exemplo”, conta Carlos Tramontin, professor de economia da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).
Apesar de contar com dois polos – Vale do Itajaí e região de Joinville – que se destacam um pouco mais em relação aos outros, a diversidade também é fator preponderante para o sucesso da indústria catarinense. “Essa boa distribuição, tanto geográfica quanto setorial, é muito importante e faz com que não se dependa exclusivamente de apenas uma região”, explica Henry Quaresma, diretor de relações industriais e institucionais da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc).
Os quatro setores da indústria possuem representatividade no Estado, embora o de transformação ocupe a maior fatia do total. A construção vem crescendo. “É um setor sensível ao momento econômico e que vem se recuperando com a retomada do crescimento no pós-crise”, conta Tramontin.
Benefícios de uma indústria forte
Segundo os especialistas, esse perfil industrial é benéfico para Santa Catarina, já que o setor é o que mais agrega riquezas na cadeia produtiva. Para exemplificar, Henry Quaresma utiliza o exemplo clássico de indústria. “Um fábrica movimenta todo um setor, desde quem fornece a matéria-prima até quem transporta e revende posteriormente”, explica o diretor da Fiesc.
Porém, para o professor Carlos Tramontin, a tendência é que o setor de serviços continue a se expandir mais rapidamente que a indústria, o que já vem acontecendo há alguns anos. Com isso, a participação da indústria no PIB deve diminuir. “Isso não significa que a indústria esteja regredindo. O crescimento maior dos serviços é uma conseqüência natural”, conta.
Especialista em Economia Industrial , o professor explica que, em economias mais desenvolvidas, como a dos Estados Unidos e da Europa, o setor de serviços é o carro-chefe. Um estágio que tanto o Brasil quanto Santa Catarina pretendem atingir num futuro próximo. “A grande diferença está no nível de maturidade de cada economia. No caso catarinense e brasileiro, a indústria continua sendo fundamental”, diz Quaresma.
Reivindicações do setor
Para o diretor da Fiesc, a participação industrial de Santa Catarina está caindo. O Estado vem registrando índices de crescimento abaixo da média nacional no setor. “Estamos caminhando para a estagnação”, afirma Quaresma.
Entre as principais demandas da indústria catarinense, uma ação mais firme dos governos, principalmente no que tange carga tributária e infraestrutura, é considerada fundamental para o diretor da Fiesc. “A tributação atual é impeditiva para o setor produtor e as obras de infraestrutura são necessárias não só pela indústria. Elas beneficiarão a sociedade como um todo”, finaliza.
Portal Economia SC
quarta-feira, 28 de julho de 2010
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