terça-feira, 13 de julho de 2010

Fundições ainda patinam no pós-crise

Apesar da demanda interna, segmento até agora não voltou aos níveis de 2008. Concorrência externa preocupa empresários
Daniel Haidar
O crescimento econômico brasileiro acelerou a recuperação até da combalida indústria de fundição nacional, um dos setores mais afetados pela crise internacional, com 10.827 empregos cortados e queda de 31,5% da produção em 2009.
Mas nem o aquecimento da demanda doméstica neste primeiro semestre conseguiu fazer o segmento retomar do nível de produção recorde de 2008. A desaceleração projetada para o segundo semestre e a sufocante perda da competitividade frente as importados também preocupam os empresários do setor.
Entre janeiro e maio deste ano, a produção de fundidos cresceu 48% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Fundição (ABIFA), mas o volume é 14% inferior ao que foi atingido em 2008.
Até o início de junho, o setor já havia reposto 6.614 vagas fechadas no ano passado, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). De acordo com a Abifa, até maio deste ano tinham 51.438 trabalhadores registrados formalmente nas empresas do setor, quase 15% a menos do contingente de empregados em outubro de 2008 (60.418).
Na opinião do presidente da Abifa, Devanir Brichesi, a recuperação foi puxada principalmente pela alta na produção de caminhões, ônibus e veículos comerciais, amplamente incentivadas por linhas de crédito oficiais. Mais da metade da produção de fundidos serve de insumo para autopeças, de acordo com a Abifa. A produção de veículos cresceu junto com a de peças fundidas, mas o tombo das fundições foi bem maior do que o das montadoras. A produção de ônibus, caminhões e veículos comerciais, excluídos automóveis, aumentou 43,5% no acumulado de janeiro a maio deste ano, enquanto a de fundidos subiu 48%. Mas nesse período de 2009 a queda foi de 18,9% e 42% respectivamente na comparação com 2008.
Brichesi, da Abifa, avalia que esse descompasso na recuperação das montadoras e da fundição mostra uma progressiva substituição de produtos nacionais por importados. “É uma questão puramente comercial. Temos tecnologia e capacidade produtiva. Não há gargalo. Mas o setor automotivo prefere hoje comprar produto globalizado, onde é mais barato”, diz.
Para o professor Robson Gonçalves, da FGV, tanto o setor de fundição quanto o de autopeças estão esmagados pelos aumentos de preços de minério de ferro e de aço. “Autopeças está perdendo espaço para a importação. Muitos segmentos de autopeças no Brasil estão deixando de existir”, afirma.
Para ganhar competitividade, a Abifa pede desoneração de 20% da folha de pagamento do setor e inibição, via barreira tributária, da importação de fundidos. “Se não houver nenhuma mudança, não tem como reverter isso”, diz Brichesi.
Fonte: Brasil Econômico

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