SÃO PAULO - O consumo mundial de aço vai crescer 10,7% neste ano, atingindo 1,24 bilhão de toneladas, contrastando com a queda de 6,7% do ano passado, que foi imposta pela depressão econômica mundial. A previsão faz parte de levantamento da World Steel Association (WSA) divulgado hoje em Viena, na Áustria. Com essas projeções, aponta, a demanda mundial em 2010 já vai supera os níveis pré-crise, ficando similar à de 2007.
Para 2011, conforme a WSA, a estimativa é de que o consumo global de aço irá crescer 5,3%, alcançando um volume histórico - 1,3 milhão de toneladas. A resiliência das economias emergentes, explica a entidade, com destaque para a China, tem sido o fator crítico que permite a recuperação da demanda mundial de aço mais cedo do que se esperava.
Conforme o Comitê de Economia da WSA, que se reuniu em Pequim, China, em março, suas deliberações ocorreram antes do impacto do aumento dos preços das matérias-primas. E o risco de uma maior volatilidade dos preços das matérias-primas continua a ser uma grande preocupação para a indústria do aço e seus clientes.
Daniel Novegil, presidente da Comissão de Economia da entidade, comentou que"o quadro geral é a melhoria na previsão em relação ao cenário visto em outubro". Afirmou que"a indústria siderúrgica mundial agora parece estar firmemente fixada no caminho da recuperação. As economias emergentes, mantido o crescimento positivo em meio à crise, continuarão a registrar forte crescimento, impulsionando a demanda mundial de aço".
Novegil observa, no entanto, que a recuperação vista nas principais economias desenvolvidas - Europa, Estados Unidos e Japão - é mais lenta e a demanda projetada por aço para esses mercados, em 2011, está bem abaixo do nível de 2007. Ele lembra que a recuperação, como um todo, foi impulsionada, em grande parte, pelos pacotes de estímulo governamentais e recomposição de estoques. Para Novegil, a preocupação real será como o pós-crise vai lidar com políticas macroeconômicas de equilíbrio fiscal e pressões inflacionárias.
No consumo aparente de aço na China em 2010 é esperado aumento de 6,7%, para 580 milhões de toneladas, sobre impressionante alta de 24,8% no ano passado. Em 2011, a taxa de crescimento cairá para 2,8%, levando o montante consumido a 595 milhões de toneladas. No próximo ano, a China será responsável por 45,5% do consumo mundial de aço, ante 48,4% em 2009.
Na América do Norte, depois de queda de 41,6% no consumo americano em 2009, com recuperação da economia dos Estados Unidos, a previsão é de alta de 26,5% neste ano e 7,5% em 2011. Com isso, o nível de demanda retornará a 1991, com 80 milhões de toneladas. Na região, é esperado em 2011 que o consumo volte ao patamar de 1993.
Para a União Europeia, a previsão da WSA é de aumento de 13,7% em 2010 na demanda por aço, com recomposição de estoques e leve retomada da demanda real. Para o próximo ano, demanda real irá conduzir a recuperação, como expansão do consumo aparente beirando 8%. Com isso, voltaria ao nível de 1997.
No Japão, que sofreu retração de 31,7% no ano da crise, a utilização de aço subirá 10,3%, mas em 2011, a demanda deverá estagnar, com menos 0,2% de crescimento. Isso terá como fator o enfraquecimento de seus principais setores demandantes. Tal cenário vai levar o consumo do país, em 2011, a 58,6 milhões de toneladas, similar ao de 1983.
Em palestra na semana passada em São Paulo, Lakshmi Mittal, principal acionista, chairman e presidente executivo do grupo ArcelorMittal, mostrou cautela quanto à recuperação global do consumo de aço. Segundo ele, as economias desenvolvidas - Estados Unidos e Europa - só vão mesmo mostrar recuperação consistente daqui a dois ou três anos. Onde ele enxerga oportunidades é nos países emergentes, com destaque para Brasil e Índia, além da China, que mantém seu ritmo econômico acelerado.
Fonte - Valor Econômico
terça-feira, 20 de abril de 2010
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