O excesso de pessoas formadas em algumas carreiras, a carência em outras com alta demanda e o aumento de renda das classes D e E são as causas da estagnação salarial dos brasileiros com nível superior no período de 2003 a 2010.
A análise é feita pelo técnico em planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Paulo Meyer Nascimento, ao comentar a recente Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, cujos resultados mostram que os salários dos profissionais de nível superior tiveram, no período, elevação de 0,3%, enquanto a média salarial no país cresceu 19%, em ambos os casos descontada a inflação.
A situação "é um reflexo de como tem se dado o crescimento no Brasil nos últimos anos, puxado principalmente pela inclusão de um contingente grande pessoas que estavam alijadas do consumo e também da própria heterogeneidade da formação de ensino superior", analisa Nascimento.
"No Brasil existe um viés muito grande para formar administradores, advogados e educadores, o que não é necessariamente ruim, o problema é formar pouco pessoal de caráter mais técnico-científico, como engenheiros, profissionais mais ligados a setores de pesquisa e desenvolvimento tecnológico". Isso significa que nas carreiras de ensino superior cuja carência ainda é grande o crescimento na remuneração foi bem superior à média. São "engenheiros, tecnólogos e profissões mais relacionadas ao setor produtivo mesmo e a tecnologia", afirma.
Qualidade da formação
Para Nascimento, a carência de profissionais qualificados pode estar associada à qualidade da formação. "Em que medida há uma escassez mesmo, ou se é em alguns setores ou algumas funções que precisam mais de especialização?", questiona. "Isso é um problema de qualidade, ou seja, ter o profissional com o diploma necessário, mas não com as competências e habilidades que o mercado está realmente demandando; às vezes há uma carência da qualidade da formação também", afirma Nascimento.
A constatação explica os resultados de outro estudo, este realizado pela Fundação Getúlio Vargas em 2010, também com base na PME do IBGE. Segundo a análise, as pessoas que passam por cursos técnicos, superiores de tecnologia ou qualificação profissional têm 48% mais chances de obter emprego e têm salários em média 13% maiores que os demais trabalhadores.
Ex-aluno de cursos técnico e superior de tecnologia do Senai em Luzerna, Paulo Dalpiva, confirma esta pesquisa. "Dos 21 anos até os 30, eu consegui formar um patrimônio significativo, o que me foi possível graças às boas opções de trabalho que os cursos me proporcionaram", explica. Ele salienta que, além do conhecimento e da competência técnica, a dedicação e o comprometimento com as atividades são relevantes para o sucesso na profissão.
Com informações do fiesc.net
Fonte: Portal Economia SC
sexta-feira, 1 de julho de 2011
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