(07/11/2010) - Há algumas semanas a Abimaq defendia o aumento das alíquotas de importação de máquinas e equipamentos de 14 para 35%. Hoje, essa medida não faz mais parte da estratégia da entidade para combater o crescente aumento da importação de máquinas e equipamentos (principalmente da China que, em setembro, superou a Alemanha e passou a ocupar a 2ª posição entre os maiores exportadores desses itens ao Brasil).
“Foi apenas um alerta”, explica Fernando Bueno, vice-presidente e coordenador da área de Competitividade da Abimaq. Na verdade, o aumento de alíquota pouco efeito teria sobre importações da China, por exemplo, tamanha é a diferença entre os preços praticados no Brasil e no mundo e o dos exportados pelo país asiático.
Segundo Bueno, a entidade preparou um plano de defesa do setor e só está aguardando um sinal de Brasília para apresentá-lo ao governo. Neste novo plano, o ponto principal é o estabelecimento de um preço médio de referência por quilo de máquinas e equipamentos importados pelo País. “Hoje, alguns produtos chineses chegam ao mercado brasileiro com preço muito inferior a média internacional”, observa. Enquanto o preço médio internacional de algumas máquinas é de US$ 25/kg, máquinas chinesas similares chegam ao Brasil por US$ 6/kg, o que, na opinião da entidade, caracteriza a prática de dumping.
A intenção da Abimaq é o que o governo adote o preço médio mundial como preço de referência. Assim, qualquer produto importado por valor inferior à média internacional seria taxado pelo preço de referência. “Essa medida não fere os critérios da OMC”, diz Bueno, lembrando que medidas semelhantes já estão em vigor nos setores de brinquedos, têxtil e de calçados.
Segundo o vice-presidente, a entidade realizou o levantamento de preços médios internacionais (e a respectiva comparação com os importados) de 1.500 tipos de máquinas. “Para Brasília, vamos levar as comparações referentes a cerca de 150 tipos, que reúnem os exemplos mais flagrantes”.
“A situação é grave”, diz Bueno, lembrando que a importação de máquinas e equipamentos cresceu 32% em 2010 na comparação com 2009, levando o déficit da balança comercial do setor para a faixa de US$ 15 bilhões. Para o vice-presidente da Abimaq, há quatro meses o governo não demonstrava “sensibilidade” para acolher medidas nesse sentido. Agora, o cenário mudou, ampliando as chances de a entidade ter seu pleito aprovado, “já que as contas externas estão se deteriorando muito rapidamente”.
Fonte: Usinagem Brasil
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