As exportações do setor de máquinas, aparelhos e materiais elétricos tiveram a maior perda líquida para a China.
A concorrência chinesa tirou da indústria nacional US$ 12,6 bilhões em exportações a seus três principais mercados, entre 2004 e 2009. A disputa com a China também custou à indústria local US$ 14,4 bilhões em vendas internas. Um estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) analisou os embarques para os Estados Unidos, União Europeia e Argentina.
O câmbio sobrevalorizado no Brasil em cerca de 16% e o câmbio chinês subvalorizado em torno de 40% podem ser apontados como principais responsáveis pelas perda de mercado internacional do Brasil para a China. Enquanto o cenário para a China foi de grande expansão das vendas de manufaturados para os principais mercados do mundo, o quadro para o Brasil foi de estagnação e, em alguns casos, até perda de mercado.
Perdas no mercado externo
Durante o período examinado, a participação da China nas vendas de bens industriais à EU dobrou, chegando a 22%, enquanto a presença brasileira passou de 1% para 1,2%. Foi no mercado europeu que o País teve as perdas líquidas mais significativas, da ordem de US$ 6,2 bilhões.
Nos EUA, a fatia chinesa subiu de 11% para 25%, enquanto a do Brasil teve queda de 1,2% para 1%, representando um decréscimo de US$ 5 bilhões. As perdas no mercado argentino foram as menos expressivas, de US$ 1,4 bilhão. O Brasil chegou a ser responsável por 37% das importações do país em 2005, mas terminou 2009 com 30,2%.
No setor externo, as maiores perdas ocorreram na penúltima comparação (2004/2005 x 2006/2007), num total de US$ 8,0 bilhões, ou 63,4% do total das perdas. Esta concentração de perdas no mercado externo neste período está vinculada ao grande crescimento das importações dos principais parceiros brasileiros, principalmente os EUA, mas que não foi plenamente aproveitado pelos exportadores brasileiros.
Principais deslocamentos nos três mercados
Na União Europeia, o deslocamento ocorreu principalmente no setor de ferro fundido, ferro e aço. Em segundo lugar, no setor de máquinas, aparelhos e materiais elétricos e, em seguida, no de máquinas e aparelhos mecânicos. Juntos, esses três correspondem a praticamente 60% das perdas líquidas na UE, ou US$ 1,1 bilhão. Outros setores de atividades relevantes para a economia brasileira, como móveis, madeira, produtos químicos,vestuário e veículos, também apresentam perdas, ainda que menores.
No setor de calçados, quase a totalidade das perdas (99%) se deu no mercado norte-americano. O setor de máquinas, aparelhos e materiais elétricos foi o segundo mais deslocado pelos chineses nos EUA, e o setor de máquinas e aparelhos mecânicos vem em seguida. Em quarto lugar, e ainda de grande importância para as exportações do Brasil, o setor de veículos e tratores representa 10,1% do total de perdas.
No mercado argentino, também as máquinas e aparelhos mecânicos e o setor de máquinas, aparelhos e materiais elétrico aparecem entre os principais setores que mais perderam mercado para a China. No entanto, o setor de produtos químicos orgânicos é o de maior perda, US$ 258 milhões em termos absolutos. Os veículos e tratores, setor no qual a Argentina configura-se como principal mercado brasileiro, também estão entre os maiores perdedores.
Perdas Líquidas do Brasil para a China no Mercado Externo:
1- Máquinas, aparelhos e materiais elétricos 17,1%
2- Máquinas e aparelhos mecânicos 15,6%
3- Ferro fundido, ferro e aço 12,0%
4- Móveis, mobiliário médico e colchões 6,8%
5- Veículos automóveis, tratores 6,2%
6- Madeira, carvão vegetal 5,7%
7- Calçados e artefatos semelhantes 5,5%
8- Outras confecções têxteis 3,5%
9- Obras de ferro fundido 3,3%
10- Produtos químicos orgânicos 2,9%
11- Demais setores 21,4%
Fonte: Portal Economia SC
quinta-feira, 10 de junho de 2010
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