Setor moveleiro teve redução de contratos e busca alternativas.
A crise econômica na União Europeia (EU) está prevista para durar pelo menos dois anos e isso preocupa praticamente todos os países. Os setores da economia catarinense que mais poderão sofrer impacto nas exportações são a pecuária, especialmente as carnes de frango e de suíno, os móveis de madeira e o setor cerâmico, afirma o professor do curso de Comércio Exterior da Univali Luiz Carlos Coelho.
Mestre em Relações Econômicas Sociais Internacionais, Coelho acredita que o impacto sobre as exportações catarinenses pode ser amenizado à medida em que as empresas consigam direcionar a novos destinos maiores quantidades destes produtos que deixam de ser comprados pela Europa. “É necessário, portanto, um esforço conjunto ainda maior, tanto do setor público quanto do privado no sentido de aumentar os mecanismos que possam amenizar o impacto que a crise europeia causará as exportações catarinenses.”
Segundo informação da Federação das Indústrias do Estado (Fiesc), os números das exportações para a União Europeia tiveram reduções nos últimos meses. Em março, deste ano, o Estado exportou US$ 184 milhões. Já em abril, esse número caiu para US$ 177,1 milhões. Em peso, são 36.421 milhões de toneladas a menos.
O agente de exportações no mercado europeu da Associação Moveleiros do Oeste Santa Catarina, Jerry de Souza, revelou que houve redução de 40% nos contratos de exportação nos últimos seis meses e que é necessário encontrar alternativas de “preços X produtos” que possam ser competitivos no mercado para concorrer com as ofertas vindas da China. Ele ainda afirmou que é difícil explorar novos mercados agora, porque, para isso, são necessários grandes investimentos e, devido à crise, as fabricas estão sem capacidade de prospecção. “Nos últimos meses, muitas empresas fecharam as portas ou mudaram de foco de exportação migrando para o mercado interno”, conclui Jerry de Souza
Empresas bancam os prejuízos
Para o presidente da Associação Catarinense de Avicultura, Clever Pirola Ávila, os contratos com a EU são feitos há 30 anos e, por isso, algumas empresas do setor estão bancando alguns prejuízos para poder manter o trabalho construído em três décadas. “A produção de aves não se alterou por causa da crise. Vamos investir mais nos mercados que são nossos clientes, como Ásia, África e América do Norte.
Na Região Sul, o tabaco foi responsável por 9,2% do total exportado, sendo que no Rio Grande do Sul representou 13,9% e em Santa Catarina 12,7%. A União Europeia foi o principal destino do produto brasileiro (45%), seguida pelo Extremo Oriente (23%), África/Oriente Médio (10%), América do Norte (10%), Leste Europeu (9%) e América Latina (3%).
Iro Schünke é presidente Sindicato da Indústria do Tabaco da Região Sul do Brasil – (SindiTabaco) e afirma que no setor de fumo ainda é cedo para afirmar os resultados da crise.
“A previsão é de que o faturamento permaneça estável apesar da diminuição das toneladas exportadas. O real se valorizou e isso fará com que os rendimentos se mantenham. Só no segundo semestre do ano é que vamos ter um balanço mais preciso sobre a crise”, declara Schünke.
O presidente do Sindicato Patronal da Indústria Mecânica de Joinville e Região (Sindimec), Renato Gruhl explica que as empresas que investiram em capacitação e que ficaram atentas as mudanças do cenário econômico estão bem. Segundo ele, o mercado encolheu ano passado, gerando muitos prejuízos. No começo de 2010 houve uma leve recuperação. “Um ano ruim leva cinco anos para se recuperar completamente. Por isso, é necessário ficar atento e ter postura diferencias para buscar novas oportunidades.”
Portal Economia SC
sexta-feira, 11 de junho de 2010
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