A região Norte busca engenheiros mecânicos e profissionais da área de tecnologia. No Sul, costureiras e técnicos operacionais têm espaço no mercado têxtil. Analisando os quatro cantos do Estado, vemos que Santa Catarina oferece empregos em diferentes setores. A boa notícia é que as empresas, em maio, abriram um número recorde de vagas para o mês: 5.438 novos postos de trabalho.
Osnildo Vieira Filho, técnico do Sistema Nacional de Empregos (Sine/SC), se surpreendeu com o resultado. “Se considerarmos os últimos 15 anos, maio não é bom na geração de trabalho. Apenas em cinco anos dentro desse período o saldo de emprego foi positivo neste mês.
Normalmente, há um fechamento grande de vagas na área da fruticultura nesta época, quando são dispensados os trabalhadores temporários. Neste ano, a quantidade de empregos gerada pela indústria e pelo comércio compensou os 2 mil postos fechados pela fruticultura", explica Vieira Filho.
O emprego em SC está em expansão. Nos primeiros cinco meses de 2007, foram abertas 43 mil vagas. Nesse mesmo período de 2008, foram aproximadamente 48 mil. A crise econômica interrompeu a sequência e fez os empregos despencarem para quase 10 mil no ano passado. “Com o clima de crise, o medo foi tão grande que as empresas dispensaram mais que deviam, agora estão recontratando”, analisa o técnico do Sine. De janeiro a maio de 2010, retomamos o ritmo e superamos o patamar anterior à crise, com a criação de 60.197 vagas.
Onde estão os empregos
Na região de Blumenau, a expectativa é que sejam abertos mais de 2 mil postos de trabalho no próximo ano por causa da inauguração de dois novos shoppings na cidade. Na agência de empregos Gelre de Blumenau, a média de oportunidades oferecidas por dia é em torno de 60 vagas.
Para a gerente da agência, Alessandra Buzetto, os efeitos da crise já passaram e nem a elevação da taxa de juros deve prejudicar o bom momento para os que estão à procura de emprego. “Aqui está a pleno vapor, existem muitas oportunidades, principalmente na indústria, no comércio e na prestação de serviços.”
A gerente da unidade de Florianópolis, Vanessa Smanioto, também afirma que a taxa de juros não terá impacto na geração de empregos, já que o consumo e a oferta de crédito estão aquecidos. “Dessa forma, as empresas terão que continuar produzindo nos mesmos níveis atuais para dar conta da demanda”, avalia. A Gelre de Florianópolis disponibiliza cerca de 50 vagas/dia. Os cargos mais freqüentes são: auxiliar de produção, motorista, promotor de vendas, vendedor, auxiliar administrativo, auxiliar de serviços gerais, auxiliar de cozinha, operador de telemarketing.
Osnildo Vieira Filho discorda. Para o técnico do Sine, qualquer elemento que limite o consumo interno pode afetar as contratações. “Essa intensa geração de empregos é consequência do processo de retomada de exportação, mas também é influenciada pelo consumo interno”, explica.
Falta mão de obra
Apesar da grande oferta, a reclamação geral das empresas é que falta mão de obra. Segundo Alessandra Buzetto, na região de Blumenau a carência é maior nas áreas operacionais para atender a demanda da indústria têxtil e metalúrgica. Essas vagas são para auxiliar de produção, costureiras, manual, revisoras, bordadeiras, serviços gerais, operação de máquinas. A escassez de trabalhadores também existe no comércio, que tem aumentado muito o número de contratações.
Na Grande Florianópolis, o setor da construção civil é um dos que mais sofrem com a situação. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Construção Civil da Grande Florianópolis (Sinduscon), Hélio Bairros, os empreendimentos estão diminuindo o ritmo, realocando funcionários e introduzindo máquinas para que consigam completar o trabalho.
Segundo Vanessa Smanioto, a indústria também sente a falta de mão de obra, principalmente os segmentos de metalurgia básica, máquinas e equipamentos, plásticos e borracha, e têxtil.
Para a gerente da Gelre de Blumenau, outro problema é a qualificação dos que chegam ao mercado de trabalho. Na região da cidade, o nível não atende as necessidades da indústria e do comércio para a área de vendas.
Vieira Filho considera o tema polêmico. “Os empresários dizem que tem emprego, mas não tem mão de obra especializada. Isso pode ser verdade em alguns casos, mas não podemos generalizar. Muitas vezes, o empregador exige do funcionário um nível maior de qualificação do que o trabalho realmente requer”, justifica. O técnico do Sine cita como exemplo o cargo de secretária, que, muitas vezes, pode ser ocupado por uma pessoa que tenha nível fundamental, mas para o qual as empresas pedem que se tenha nível médio ou superior.
Para Vanessa, uma saída é aumentar a quantidade de cursos técnicos, principalmente aqueles voltados para a indústria em geral.
Concursos públicos
Em Santa Catarina, também há oportunidades fora da esfera privada. Quem gosta de estudar pode concorrer a cargos públicos. De janeiro a junho deste ano, foram abertas 200 mil vagas por concursos federais no país, segundo a Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac). No segundo semestre, o número deve baixar para 40 mil por causa da lei eleitoral.
Nesse período, algumas limitações são impostas aos concurseiros. A partir de 3 de julho, aqueles que forem aprovados em concursos federais – não homologados até a data – não podem ser nomeados. A nomeação poderá ser feita somente em janeiro de 2011, após a posse dos políticos eleitos.
Como as eleições são para cargos federais e governamentais, os concursos municipais e do poder Judiciário têm funcionamento normal.
Portal EconomiaSC
sexta-feira, 25 de junho de 2010
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