quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Ritmo da indústria foi desigual entre as regiões

O comportamento da produção industrial nas 14 regiões pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi bastante desigual no ano passado. Das regiões pesquisadas pelo instituto, nove cresceram abaixo da média nacional, enquanto cinco superaram o crescimento médio de 10,5% registrado pela indústria brasileira. Nas pontas, a produção industrial no Espírito Santo cresceu 22,3% em relação a 2009, enquanto Santa Catarina foi o Estado com menor evolução - 6,5%, um resultado que não permitiu recuperar a perda registrada no ano anterior.
Além do Espírito Santo, também cresceram acima da média nacional, Minas Gerais (15%), Paraná (14,2%), Goiás (17,1%) e Amazonas (16,3%). Em Goiás, o aumento da produção de 17,1% foi recorde para uma série iniciada em 2003.
Além dessas regiões, São Paulo, com 10,1%, teve avanço de dois dígitos, no melhor resultado desde os 11,8% de 2004. No Estado, que tem o maior peso na indústria nacional, o resultado do ano passado foi puxado por veículos automotores, com avanço de 24,6%, e por máquinas e equipamentos, com crescimento de 26,6%. Juntos, os dois setores têm peso de cerca de 14% na produção industrial paulista.
"A maior presença de setores ligados a bens de consumo duráveis, especialmente automóveis e eletrodomésticos de linha marrom, explica o forte avanço de determinadas regiões. Além disso, foram beneficiadas áreas com fabricação de bens de capital e produção de commodities, que recuperaram as exportações", frisou André Macedo, gerente da coordenação de indústria do IBGE. "Além disso, a base de comparação mais baixa é importante para explicar o crescimento de dois dígitos", acrescentou.
Os dados do IBGE mostram que a grande maioria dos Estados conseguiu recuperar as perdas registradas em 2009. As exceções foram Rio Grande do Sul e Santa Catarina, regiões onde o percentual de crescimento de 2010 foi inferior ao de queda no ano da crise.
Na passagem do terceiro para o quarto trimestre de 2010, a produção industrial mostrou maior acomodação. A alta no país foi de 3,3% em relação ao mesmo período de 2009, contra um avanço de 8% no terceiro trimestre em relação a igual período do ano anterior. Em três regiões, a produção caiu no quarto trimestre, na comparação com os três meses anteriores - Nordeste (-1,6%), Ceará (-5,9%) e Bahia (-2,8%). Entre as demais áreas, só Goiás apresentou aceleração no período, passando de uma alta de 12,8% na produção entre julho e setembro para 15% no período de outubro a dezembro. As outras dez regiões tiveram alta na produção, mas a um ritmo menor que no terceiro trimestre.
A análise de dezembro mostra a força da acomodação em São Paulo e no Rio de Janeiro. Enquanto na primeira região houve queda de 1,2% na produção frente ao mês anterior, no Rio o tombo foi de 5,7%, puxado pela metalurgia básica, que sofreu com o maior volume de importações, e pelo setor têxtil. Em São Paulo, a queda foi causada principalmente pelos setores farmacêutico, de metalurgia, de celulose e de eletroeletrônicos. "O Rio vinha de uma alta de 5,7% em novembro e São Paulo vinha de um crescimento de 1,2%. O saldo nessas duas regiões dá o tom da estabilidade na produção industrial", ponderou Macedo.

Automóveis e alimentos prejudicam desempenho em SC
Júlia Pitthan | De Florianópolis
Quedas na produção de automóveis e de alimentos prejudicaram o desempenho da indústria catarinense em 2010, colocando os níveis de produção do Estado abaixo da média nacional. Santa Catarina ficou na lanterna no ranking nacional de produção industrial, com 6,5% de crescimento, abaixo da média nacional de 10,5%.
Segundo dados do IBGE, compilados pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), de janeiro a novembro do ano passado o setor de veículos automotores acumulava queda de 25,76% na produção e 40,66% nas vendas em relação ao desempenho de 2009. O resultado da indústria alimentícia também apresentava índice negativo, com queda de 1,6% na produção e de 8,86% nas vendas.
No último mês do ano, no entanto, o Estado teve crescimento de 5,2% na produção industrial sobre igual período de 2009. Na relação entre novembro e dezembro de 2010, o crescimento em Santa Catarina foi de 3%.
Segundo o vice-presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, o Estado leva desvantagem, porque não possui setor extrativo mineral forte nem polo voltado para a indústria automotiva. Segundo o relatório do IBGE, automóveis, eletrodomésticos da "linha marrom" e commodities, como o aço e grãos, puxaram o crescimento nacional.
Apesar de o setor de autopeças ter apresentado resultados positivos, o segmento levou desvantagem com a paralisação das atividades da fabricante de carrocerias de ônibus Busscar. A empresa de Joinville enfrenta dificuldades financeiras desde 2009, que se agravaram no ano passado.
Em 2008, o último ano em que a empresa informou dados de produção à Associação Nacional de Fabricantes de Ônibus (Fabus), foram produzidos 4.752 carrocerias. Em 2009, a empresa só manteve a entidade atualizada até agosto. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, foram fabricados 1.282 ônibus. Em 2010, as linhas de produção funcionaram esporadicamente.
O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores em Santa Catarina (Sindipeças), Hugo Ferreira, questionou o resultado negativo do setor. Segundo o dirigente, as 22 empresas ligadas à produção de autopeças no Estado tiveram crescimento de 51,3% em faturamento, e crescimento de 70,89% nas exportações. No acumulado dos 12 meses de 2010, Santa Catarina teve superávit de US$ 353 milhões no setor. Segundo Ferreira, o resultado foi o primeiro entre os Estados brasileiros, que sofreram com a entrada de produtos importados.
Na produção de alimentos, a produção de suínos e aves, que detém a maior fatia do setor, ainda sentiu o impacto da retração do consumo mundial com a crise internacional, que se agravou no fim de 2008 e se estendeu por 2009. Segundo Clever Pirola Ávila, presidente da Associação Catarinense de Avicultura, 2010 começou ainda sob os efeitos da crise. O crescimento ganhou ritmo com o decorrer do ano, atingindo o ápice de produção em dezembro, embalado pelas vendas de fim de ano. Segundo Ávila, a avicultura catarinense teve crescimento de 6% na comparação entre 2010 e 2009, o que representou abate de cerca de 2,8 milhões de toneladas.
Segundo Côrte, da Fiesc, se fossem desconsiderados os segmentos de automóveis e alimentos, o Estado teria ganhado um ponto percentual em índice de crescimento nas vendas. Ele ponderou que, apesar de o resultado ter ficado aquém da média nacional, foi positivo. Côrte lembrou que em 2009 a queda da produção industrial no Estado foi de 8% e em 2009, de 1%. "Foi um ano de recuperação importante, apesar de não termos apresentado nenhum resultado excepcional."
Valor Econômico

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