Depois de um ano de forte dinamismo e desempenhos recordes, o setor fabril inicia 2011 com o temor de que as importações possam subtrair fatia relevante do Produto Interno Bruto (PIB) industrial. Em parte devido à perspectiva de acirramento da concorrência com fornecedores estrangeiros, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a taxa de expansão da indústria de transformação passará de 10% em 2010, percentual a ser confirmado pelo IBGE, para 4% em um ano em que a comparação de desempenho com as bases elevadas do ano anterior dará o tom das análises sobre o ritmo de atividade.
No acumulado de janeiro a dezembro de 2010, a indústria registrou aumentos recordes de 9,9% no faturamento, de 7,1% nas horas trabalhadas, de 5,4% no emprego e de 5,9% da massa salarial real, apontou a CNI. Em dezembro, o uso da capacidade instalada ficou em 82,8%, terceira alta consecutiva de 0,2 ponto percentual na série com ajuste sazonal.
Ao fazer a projeção de 4% de expansão para o PIB da indústria de transformação neste ano, a entidade considerou a comparação com a base elevada que configura 2010, a desaceleração da demanda e o encarecimento dos financiamentos em consequência da política monetária restritiva. Nos próximos meses essa indicação pode ser refeita em função do maior ou menor impacto da concorrência com os importados, entre outros fatores determinantes do nível de atividade.
A CNI é cautelosa ao mencionar os riscos de desindustrialização. A entidade considera que não é possível adotar o discurso do desmonte do parque fabril quando o setor exibe desempenho recorde. Ainda assim, os economistas da entidade alertam que a disputa pelo mercado brasileiro entre produtores nacionais e estrangeiros é crescente e preocupante.
"A desindustrialização é uma questão sensível e polêmica. Talvez o problema comece a ficar transparente quando olharmos a composição setorial da indústria", diz Flávio Castelo Branco, economista da CNI. Ele cita os subsetores têxtil, de calçados, de equipamentos eletrônicos, de móveis e de madeira entre os que enfrentam concorrência mais agressiva com os importados.
Além da penetração dos manufaturados provenientes do exterior, principalmente da Ásia, a entidade informa que tem sido crescente o uso de bens intermediários em cadeias produtivas mais longas, com risco de perda relativa para outros subsetores da indústria.
A CNI detectou forte recuo do nível de atividade industrial nos últimos meses de 2010. Em dezembro, três dos cinco indicadores mostraram resultado negativo frente a novembro. Os recuos foram de 2,2% no faturamento, de 8,8% nas horas trabalhadas, e de 1,9% no emprego. Dessazonalizadas, as retrações foram de 0,6%, 2,2% e 0,5%, respectivamente.
Fonte: DCI
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