O sinal amarelo está ligado para a indústria brasileira e medidas precisam ser tomadas para que o País não entre em um processo de perda de competitividade do setor industrial. Esse foi o tom do seminário "Riscos da Desindustrialização", promovido pela Federação das Indústrias (Fiesc) nesta quinta-feira (24).
Segundo o gerente-executivo da Confederação Nacional da Indústria, Flávio de Castelo Branco, o Brasil ainda não tem sinais evidentes de um processo de perda da força da indústria, porém as ameaças são claras. "São muitos os fatores que afetam o setor hoje, sendo os principais a atual taxa de câmbio, a concorrência internacional, em especial a chinesa, e o elevado Custo Brasil", afirma o economista.
Um dos sinais claros desses entraves é a perda de atratividade para exportar. De acordo com os dados governamentais, o número de empresas que exportam cai a cinco anos seguidos, enquanto o de empresas que compram produtos do exterior atingiu recorde no ano passado, com mais de 37 mil espalhadas por todo o País.
Setores mais influenciados
Para o consultor e professor de economia André Luiz Sacconato, o alerta está ainda mais claro nos setores que empregam mão de obra de forma intensiva, casos da cadeia têxtil, de calçados e do vestuário. "O Brasil deixou, nos últimos anos, de ser um País com mão de obra barata e, além disso, aqui não temos um bom ambiente de negócios", diz.
Segundo Sacconato, os verdadeiros entraves do desenvolvimento pleno são para lá de conhecidos: elevada carga tributária, que não se converte em benefícios para a população, baixo nível de investimentos federais e a falta de Parcerias Público-Privadas.
"Estamos perdendo mais uma vez a oportunidade de dar o salto de desenvolvimento na nossa infraestrutura. O momento da economia global é de muita liquidez, tem dinheiro sobrando. É só lançarmos um plano de investimento estrangeiro que choveriam empresas querendo contribuir. Temos de deixar o ranço ideológico para trás. O governo sozinho não dá conta e temos uma história toda para provar isso", comenta Sacconato.
Taxa de câmbio
Vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB), José Augusto de Castro acredita que o centro dos problemas está na atual taxa de câmbio. "Com a taxa atual, fica mais fácil importar do que produzir no País. O empresário troca de ramo e mantém o lucro, fechando um grande número de empregos", disse.
Para Castro, a nossa atual balança comercial é ilusória. Embora haja superávit, em torno de 70% do que o Brasil exporta são commodities, que variam facilmente de preço no mercado internacional. "Hoje, o Brasil exporta o que o mundo quer e não o que ele próprio deseja. Isso faz com que nosso poder de barganha seja muito pequeno. Não há problemas em exportar commodities e sim em basear nossa pauta de exportações apenas nelas", diz Castro.
Os sinais
Para embasar sua opinião, Castro aponta que, dentre as dez maiores economias do mundo, apenas o Brasil não figura entre os maiores exportadores, ficando na 22ª colocação no ranking mundial. Além disso, o número de empresas importadoras no Brasil hoje é mais que o dobro da de exportadoras.
"Não há, de fato, uma política de comércio exterior". Assim como seus colegas, ele acredita que o processo de desindustrialização ainda não está acontecendo de fato, pois a indústria está crescendo. No entanto, a ameaça é real e o processo pode ter conseqüências graves para a economia nacional.
Efeitos em SC
"Ao contrário dos países desenvolvidos que já passaram por esse processo, como os EUA, o Brasil ainda não está preparado para uma redução de participação da indústria. O que foi positivo lá, aqui seria extremamente prejudicial, pelo menos no atual estágio", afirma o professor Castelo Branco.
Para o diretor de relações institucionais da Fiesc, Henry Quaresma, Santa Catarina seria um dos Estados mais prejudicados. Conforme veiculado anteriormente pelo Portal EconomiaSC, o Estado apresenta o maior caráter industrial do País. "Justamente por essa condição, esse tema é de importância extrema para os catarinenses. É bom ficarmos de olho", conclui.
O que é a desindustrialização?
O processo de desindustrialização ocorre quando tanto a participação relativa no PIB quanto o número de empregos do setor industrial perdem força. No Brasil, o processo ainda é uma ameaça, que precisa ser evitada através de medidas preventivas. Segundo o vice-presidente da Fiesc, Glauco Côrte, a indústria não pede favores. "O que se precisa é de condições isonômicas de competição, o que é obrigação do governo garantir", aponta.
Portal Economiasc
terça-feira, 1 de março de 2011
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