terça-feira, 5 de julho de 2011
Produção se recupera e sobe em maio
A produção industrial em maio cresceu 1,3% sobre abril, feito o ajuste sazonal, recuperando-se do tombo do mês anterior - cujo resultado foi revisado para cima elo IBGE. Em vez de uma queda de 2,1% em relação a março, houve um recuo mais modesto, de 1,2%. No entanto, também houve uma mudança em todos os dados anteriores, desde janeiro de 2010, mostrando "um crescimento menor no início do ano de 2011 do que previamente divulgado", como notou o Banco Fator, em relatório. A produção de março subiu apenas 0,3% sobre fevereiro, e não 1,1%. No ano, a indústria cresce 1,8% e no acumulado em 12 meses, 4,5%.
O crescimento da produção industrial em maio, ainda que robusto, não foi visto pelos analistas como uma retomada firme, porque indicadores referentes a junho sugerem um quadro pouco animador para o segmento. O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do HSBC, por exemplo, recuou de 50,8 pontos em maio para 49 pontos em junho, ficando abaixo de 50 pela primeira vez desde novembro de 2010. Um indicador abaixo de 50 indica retração da atividade industrial.
Mesmo com essas ressalvas, o patamar da produção industrial em maio atingiu o novo recorde da série histórica, iniciada em 1991, ficando 0,1% acima do recorde anterior, atingido em março. Apesar disso, o ritmo de crescimento é visto pelo IBGE como "mais moderado". Para o gerente da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo. a "indústria alcançou o patamar de março, mas já com movimento de menor intensidade de crescimento".
Os maiores destaques de maio foram os setores de bens duráveis, com alta de 2,7% sobre abril, e de bens de capital, com avanço de 1,7%. Macedo lembrou que, no mês anterior, a produção desses dois segmentos havia caído com força. (SL e Rafael Rosas, do Rio)
Fonte: Valor Econômico
O crescimento da produção industrial em maio, ainda que robusto, não foi visto pelos analistas como uma retomada firme, porque indicadores referentes a junho sugerem um quadro pouco animador para o segmento. O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do HSBC, por exemplo, recuou de 50,8 pontos em maio para 49 pontos em junho, ficando abaixo de 50 pela primeira vez desde novembro de 2010. Um indicador abaixo de 50 indica retração da atividade industrial.
Mesmo com essas ressalvas, o patamar da produção industrial em maio atingiu o novo recorde da série histórica, iniciada em 1991, ficando 0,1% acima do recorde anterior, atingido em março. Apesar disso, o ritmo de crescimento é visto pelo IBGE como "mais moderado". Para o gerente da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo. a "indústria alcançou o patamar de março, mas já com movimento de menor intensidade de crescimento".
Os maiores destaques de maio foram os setores de bens duráveis, com alta de 2,7% sobre abril, e de bens de capital, com avanço de 1,7%. Macedo lembrou que, no mês anterior, a produção desses dois segmentos havia caído com força. (SL e Rafael Rosas, do Rio)
Fonte: Valor Econômico
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Indicadores industriais de junho apontam atividade mais fraca
Duas pesquisas com empresários feitas em junho reforçaram a percepção de desaceleração da atividade na indústria no segundo trimestre, indicando que a recuperação esboçada pelo setor no início do ano foi um movimento pontual. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) recuou pela sexta vez seguida no mês passado, caindo 2,5% em relação a maio, passando de 109,9 para 107,1 pontos, feito o ajuste sazonal, de acordo com a Sondagem da Indústria da Transformação da Fundação Getulio Vargas (FGV). A retração foi puxada pelo Índice de Situação Atual, que caiu de 111,6 pontos em maio para 107,7 pontos no mês atual. Aumentou a fatia das empresas que pretendem demitir nos próximos três meses, ao mesmo tempo em que diminuiu as que planejam contratar no período.
Já o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do HSBC caiu de 50,8 pontos em maio para 49 pontos no mês passado, também na série livre de influências sazonais. Foi a primeira vez, desde novembro de 2010, que o indicador ficou abaixo de 50, o que sugere retração na atividade industrial. Quando o número fica acima de 50, a leitura é de alta.
O economista Aloisio Campelo, coordenador de sondagens conjunturais da FGV, chama atenção para o fato de que a queda na confiança da indústria foi generalizada em junho. Dos 14 setores consultados, 11 registraram recuo na confiança, dois estabilidade e apenas um alta. "O espalhamento denota a desaceleração sentida na indústria como um todo."
Para ele, a retração da demanda interna, após a adoção das medidas macroprudenciais para controlar o crédito, e o aumento da taxa de juros básica podem ter afetado a confiança das empresas no futuro e piorado sua percepção sobre o momento atual. As empresas, segundo Campelo, também estão com maior dificuldade para reajustar os preços, o que acaba por reduzir a margem de lucro das companhias.
"Os preços estão cedendo um pouco, o que, somado a um período maior de vendas um pouco mais fracas, fez com que a indústria perdesse a confiança num ritmo mais forte do que nos meses anteriores", disse Campelo.
Na leitura de junho do Índice de Preços Geral-Mercado (IGP-M), divulgado anteontem pela FGV, todos os estágios de produtos industriais tiveram deflação, com queda de 0,5% em bens finais, 0,47% em matérias-primas brutas e 0,39% em bens intermediários.
Segundo o economista da FGV, a redução da demanda interna acabou por afetar também as perspectivas do empresariado para os próximos seis meses e a pretensão da indústria em relação ao emprego. O Índice de Expectativas teve seu quarto recuo consecutivo ao atingir 106,5 pontos em junho.
Das 1.146 empresas consultadas pela pesquisa, 30,2% afirmaram pretender aumentar seu quadro de funcionários nos próximos três meses, abaixo dos 32,8% apurados no mês anterior. O número de empresas com planos de demitir, por outro lado, aumentou: essa parcela ficou em 11,3% no atual mês, contra 10,1% em maio. Em janeiro, os empresários que pretendiam dispensar empregados eram apenas 4,5% do total.
Os dados de emprego industrial chamaram a atenção de Thovan Tucakov, da LCA Consultores. "Esses números vão ao encontro do que já observamos no Caged: uma redução no ritmo de contratação da indústria". Segundo o Ministério do Trabalho, nos primeiros cinco meses do ano a indústria criou 221.367 vagas formais, número 37% inferior aos 349.663 postos concentrados no setor no mesmo período de 2010.
O analista acredita que as consecutivas quedas no otimismo do empresariado irão resultar em menos produção industrial. Para a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) de maio, a ser divulgada hoje, Tucakov prevê um crescimento de 0,8% da produção nacional. Para 2011, a LCA projeta que a indústria crescerá 3%.
O nível de utilização de capacidade da indústria de junho ficou em 84,3%, feito o ajuste sazonal. Houve uma pequena queda em relação aos 84,4% registrados em abril e maio, um nível que não causa grandes preocupações. Em outubro de 2010, o nível de utilização de capacidade instalada chegou a 85,2%.
Já o relatório do PMI, do HSBC, mostrou que "os fabricantes brasileiros relataram um nível mais baixo de produção em junho, encerrando assim o período de crescimento da produção que começou em novembro passado." A pesquisa captou queda do volume de novos pedidos, "com as empresas citando os mercados mais fracos e a intensificação nas pressões por parte dos concorrentes".
Segundo o economista-chefe do HSBC, André Loes, "os componentes do índice corroboram o cenário de desaceleração generalizada, uma vez que os índices de produção, novos pedidos e emprego caíram abaixo de 50 pontos em junho". Ele observa ainda que "a alta de preços de insumos e de bens finais foi menos intensa que nos meses anteriores, mas os preços permanecem em trajetória de alta."
As empresas consultadas também relataram um acúmulo marginal nos estoques de bens finais, além de informarem ter diminuído o volume de insumos adquiridos, por conta de necessidades menores para produção. Nesse cenário, os estoques de insumos também recuaram.
O PMI é um termômetro da atividade industrial, baseado em pesquisa com mais de 400 executivos, que respondem sobre itens como produção, encomendas, emprego, pedidos de exportação, estoques e preços de bens finais e de insumos.
fonte: Valor Econômico
Já o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do HSBC caiu de 50,8 pontos em maio para 49 pontos no mês passado, também na série livre de influências sazonais. Foi a primeira vez, desde novembro de 2010, que o indicador ficou abaixo de 50, o que sugere retração na atividade industrial. Quando o número fica acima de 50, a leitura é de alta.
O economista Aloisio Campelo, coordenador de sondagens conjunturais da FGV, chama atenção para o fato de que a queda na confiança da indústria foi generalizada em junho. Dos 14 setores consultados, 11 registraram recuo na confiança, dois estabilidade e apenas um alta. "O espalhamento denota a desaceleração sentida na indústria como um todo."
Para ele, a retração da demanda interna, após a adoção das medidas macroprudenciais para controlar o crédito, e o aumento da taxa de juros básica podem ter afetado a confiança das empresas no futuro e piorado sua percepção sobre o momento atual. As empresas, segundo Campelo, também estão com maior dificuldade para reajustar os preços, o que acaba por reduzir a margem de lucro das companhias.
"Os preços estão cedendo um pouco, o que, somado a um período maior de vendas um pouco mais fracas, fez com que a indústria perdesse a confiança num ritmo mais forte do que nos meses anteriores", disse Campelo.
Na leitura de junho do Índice de Preços Geral-Mercado (IGP-M), divulgado anteontem pela FGV, todos os estágios de produtos industriais tiveram deflação, com queda de 0,5% em bens finais, 0,47% em matérias-primas brutas e 0,39% em bens intermediários.
Segundo o economista da FGV, a redução da demanda interna acabou por afetar também as perspectivas do empresariado para os próximos seis meses e a pretensão da indústria em relação ao emprego. O Índice de Expectativas teve seu quarto recuo consecutivo ao atingir 106,5 pontos em junho.
Das 1.146 empresas consultadas pela pesquisa, 30,2% afirmaram pretender aumentar seu quadro de funcionários nos próximos três meses, abaixo dos 32,8% apurados no mês anterior. O número de empresas com planos de demitir, por outro lado, aumentou: essa parcela ficou em 11,3% no atual mês, contra 10,1% em maio. Em janeiro, os empresários que pretendiam dispensar empregados eram apenas 4,5% do total.
Os dados de emprego industrial chamaram a atenção de Thovan Tucakov, da LCA Consultores. "Esses números vão ao encontro do que já observamos no Caged: uma redução no ritmo de contratação da indústria". Segundo o Ministério do Trabalho, nos primeiros cinco meses do ano a indústria criou 221.367 vagas formais, número 37% inferior aos 349.663 postos concentrados no setor no mesmo período de 2010.
O analista acredita que as consecutivas quedas no otimismo do empresariado irão resultar em menos produção industrial. Para a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) de maio, a ser divulgada hoje, Tucakov prevê um crescimento de 0,8% da produção nacional. Para 2011, a LCA projeta que a indústria crescerá 3%.
O nível de utilização de capacidade da indústria de junho ficou em 84,3%, feito o ajuste sazonal. Houve uma pequena queda em relação aos 84,4% registrados em abril e maio, um nível que não causa grandes preocupações. Em outubro de 2010, o nível de utilização de capacidade instalada chegou a 85,2%.
Já o relatório do PMI, do HSBC, mostrou que "os fabricantes brasileiros relataram um nível mais baixo de produção em junho, encerrando assim o período de crescimento da produção que começou em novembro passado." A pesquisa captou queda do volume de novos pedidos, "com as empresas citando os mercados mais fracos e a intensificação nas pressões por parte dos concorrentes".
Segundo o economista-chefe do HSBC, André Loes, "os componentes do índice corroboram o cenário de desaceleração generalizada, uma vez que os índices de produção, novos pedidos e emprego caíram abaixo de 50 pontos em junho". Ele observa ainda que "a alta de preços de insumos e de bens finais foi menos intensa que nos meses anteriores, mas os preços permanecem em trajetória de alta."
As empresas consultadas também relataram um acúmulo marginal nos estoques de bens finais, além de informarem ter diminuído o volume de insumos adquiridos, por conta de necessidades menores para produção. Nesse cenário, os estoques de insumos também recuaram.
O PMI é um termômetro da atividade industrial, baseado em pesquisa com mais de 400 executivos, que respondem sobre itens como produção, encomendas, emprego, pedidos de exportação, estoques e preços de bens finais e de insumos.
fonte: Valor Econômico
Falta de mão de obra qualificada preocupa empregadores de Joinville
Portal Mais Emprego é apresentado como forma de amenizar o problema
— Temos muitas oportunidades em Joinville e região, mas faltam pessoas qualificadas —, disse o vice-presidente da Brasil Recursos Humanos de Joinville, Fábio Luís de Oliveira, no Fórum Municipal de Políticas Públicas de Qualificação e Intermediação de Mão de Obra, que aconteceu nesta quinta-feira, na Acij.
A frase reflete a preocupação em qualificar trabalhadores para estarem aptos a um emprego.
— O desafio das empresas, hoje, é investir na capacitação dos funcionários —, completa Oliveira.
Segundo o vice-presidente, a falta de profissionais qualificados está na área de serviço – panificação – e na indústria – desde a parte operacional até a mais técnica.
O superintendente do Ministério de Trabalho e Emprego em SC, Carlos Arthur Barbosa apresentou o Portal Mais Emprego (http://maisemprego.mte.gov.br), que será lançado este mês no Estado. O site integrará o banco de dados (Sine, da Caixa Econômica Federal e do Ministério do Trabalho) de seguro-desemprego, qualificação profissional e intermediação de mão de obra.
— Será um local onde as empresas poderão disponibilizar as vagas, onde o trabalhador poderá anexar currículo e ainda se profissionalizar —, explicou.
A partir de 2012, quem for sacar o seguro-desemprego participará de um curso profissionalizante.
— Por meio do Pronatec, um programa do governo direcionado para capacitação. As atividades serão nas estruturas técnicas federais espalhadas pelo Brasil —, acrescenta o superintendente.
A NOTÍCIA
— Temos muitas oportunidades em Joinville e região, mas faltam pessoas qualificadas —, disse o vice-presidente da Brasil Recursos Humanos de Joinville, Fábio Luís de Oliveira, no Fórum Municipal de Políticas Públicas de Qualificação e Intermediação de Mão de Obra, que aconteceu nesta quinta-feira, na Acij.
A frase reflete a preocupação em qualificar trabalhadores para estarem aptos a um emprego.
— O desafio das empresas, hoje, é investir na capacitação dos funcionários —, completa Oliveira.
Segundo o vice-presidente, a falta de profissionais qualificados está na área de serviço – panificação – e na indústria – desde a parte operacional até a mais técnica.
O superintendente do Ministério de Trabalho e Emprego em SC, Carlos Arthur Barbosa apresentou o Portal Mais Emprego (http://maisemprego.mte.gov.br), que será lançado este mês no Estado. O site integrará o banco de dados (Sine, da Caixa Econômica Federal e do Ministério do Trabalho) de seguro-desemprego, qualificação profissional e intermediação de mão de obra.
— Será um local onde as empresas poderão disponibilizar as vagas, onde o trabalhador poderá anexar currículo e ainda se profissionalizar —, explicou.
A partir de 2012, quem for sacar o seguro-desemprego participará de um curso profissionalizante.
— Por meio do Pronatec, um programa do governo direcionado para capacitação. As atividades serão nas estruturas técnicas federais espalhadas pelo Brasil —, acrescenta o superintendente.
A NOTÍCIA
Salário de brasileiros com ensino superior cresce menos que a média
O excesso de pessoas formadas em algumas carreiras, a carência em outras com alta demanda e o aumento de renda das classes D e E são as causas da estagnação salarial dos brasileiros com nível superior no período de 2003 a 2010.
A análise é feita pelo técnico em planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Paulo Meyer Nascimento, ao comentar a recente Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, cujos resultados mostram que os salários dos profissionais de nível superior tiveram, no período, elevação de 0,3%, enquanto a média salarial no país cresceu 19%, em ambos os casos descontada a inflação.
A situação "é um reflexo de como tem se dado o crescimento no Brasil nos últimos anos, puxado principalmente pela inclusão de um contingente grande pessoas que estavam alijadas do consumo e também da própria heterogeneidade da formação de ensino superior", analisa Nascimento.
"No Brasil existe um viés muito grande para formar administradores, advogados e educadores, o que não é necessariamente ruim, o problema é formar pouco pessoal de caráter mais técnico-científico, como engenheiros, profissionais mais ligados a setores de pesquisa e desenvolvimento tecnológico". Isso significa que nas carreiras de ensino superior cuja carência ainda é grande o crescimento na remuneração foi bem superior à média. São "engenheiros, tecnólogos e profissões mais relacionadas ao setor produtivo mesmo e a tecnologia", afirma.
Qualidade da formação
Para Nascimento, a carência de profissionais qualificados pode estar associada à qualidade da formação. "Em que medida há uma escassez mesmo, ou se é em alguns setores ou algumas funções que precisam mais de especialização?", questiona. "Isso é um problema de qualidade, ou seja, ter o profissional com o diploma necessário, mas não com as competências e habilidades que o mercado está realmente demandando; às vezes há uma carência da qualidade da formação também", afirma Nascimento.
A constatação explica os resultados de outro estudo, este realizado pela Fundação Getúlio Vargas em 2010, também com base na PME do IBGE. Segundo a análise, as pessoas que passam por cursos técnicos, superiores de tecnologia ou qualificação profissional têm 48% mais chances de obter emprego e têm salários em média 13% maiores que os demais trabalhadores.
Ex-aluno de cursos técnico e superior de tecnologia do Senai em Luzerna, Paulo Dalpiva, confirma esta pesquisa. "Dos 21 anos até os 30, eu consegui formar um patrimônio significativo, o que me foi possível graças às boas opções de trabalho que os cursos me proporcionaram", explica. Ele salienta que, além do conhecimento e da competência técnica, a dedicação e o comprometimento com as atividades são relevantes para o sucesso na profissão.
Com informações do fiesc.net
Fonte: Portal Economia SC
A análise é feita pelo técnico em planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Paulo Meyer Nascimento, ao comentar a recente Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, cujos resultados mostram que os salários dos profissionais de nível superior tiveram, no período, elevação de 0,3%, enquanto a média salarial no país cresceu 19%, em ambos os casos descontada a inflação.
A situação "é um reflexo de como tem se dado o crescimento no Brasil nos últimos anos, puxado principalmente pela inclusão de um contingente grande pessoas que estavam alijadas do consumo e também da própria heterogeneidade da formação de ensino superior", analisa Nascimento.
"No Brasil existe um viés muito grande para formar administradores, advogados e educadores, o que não é necessariamente ruim, o problema é formar pouco pessoal de caráter mais técnico-científico, como engenheiros, profissionais mais ligados a setores de pesquisa e desenvolvimento tecnológico". Isso significa que nas carreiras de ensino superior cuja carência ainda é grande o crescimento na remuneração foi bem superior à média. São "engenheiros, tecnólogos e profissões mais relacionadas ao setor produtivo mesmo e a tecnologia", afirma.
Qualidade da formação
Para Nascimento, a carência de profissionais qualificados pode estar associada à qualidade da formação. "Em que medida há uma escassez mesmo, ou se é em alguns setores ou algumas funções que precisam mais de especialização?", questiona. "Isso é um problema de qualidade, ou seja, ter o profissional com o diploma necessário, mas não com as competências e habilidades que o mercado está realmente demandando; às vezes há uma carência da qualidade da formação também", afirma Nascimento.
A constatação explica os resultados de outro estudo, este realizado pela Fundação Getúlio Vargas em 2010, também com base na PME do IBGE. Segundo a análise, as pessoas que passam por cursos técnicos, superiores de tecnologia ou qualificação profissional têm 48% mais chances de obter emprego e têm salários em média 13% maiores que os demais trabalhadores.
Ex-aluno de cursos técnico e superior de tecnologia do Senai em Luzerna, Paulo Dalpiva, confirma esta pesquisa. "Dos 21 anos até os 30, eu consegui formar um patrimônio significativo, o que me foi possível graças às boas opções de trabalho que os cursos me proporcionaram", explica. Ele salienta que, além do conhecimento e da competência técnica, a dedicação e o comprometimento com as atividades são relevantes para o sucesso na profissão.
Com informações do fiesc.net
Fonte: Portal Economia SC
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