sexta-feira, 20 de maio de 2011

País teve várias tentativas de acordo tripartite

Não é a primeira vez que empresários industriais e líderes sindicais procuram o governo federal em busca de incentivos e proteção para os negócios e o emprego. Na história mais recente, houve uma tentativa entre setembro e novembro de 1990, mas os atores bateram cabeça. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), então comandada por Mario Amato, acusava o governo de Fernando Collor de "armar ciladas", enquanto a Central Única dos Trabalhadores (CUT) não conseguia se entender com os sindicalistas que depois formariam a Força Sindical. Dois anos depois, no entanto, um primeiro acordo foi fechado em Brasília entre CUT, empresários do setor automotivo e governo federal, que reduzia impostos às montadoras, que em troca reduziram os preços dos veículos e não cortariam mão de obra.
A iniciativa ganhou musculatura e, já no governo de Itamar Franco (1993-94), foi aprovada a câmara setorial para o setor automobilístico. Entre 1993 e 1996, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso extinguiu a iniciativa, a câmara setorial incluiu empresários e líderes sindicais numa mesma mesa de negociação periódica com o governo. De lá foram produzidas medidas tributárias e tarifárias - tanto de redução de impostos para o produto nacional, quanto de elevação de tarifas sobre o carro importado - que serviram parar "suavizar" os efeitos da abertura econômica promovida por Collor e da paridade cambial encampada pelo Plano Real sobre a indústria nacional.
A câmara setorial, no entanto, condicionava a proteção ao cumprimento de metas de produtividade, de forma a, segundo o discurso oficial de então, modernizar o parque industrial brasileiro. À época, a CUT, em seu 5º Congresso Nacional, aprovou resolução que entendia "que a população em geral sai perdendo com as câmaras", uma vez que o recolhimento de impostos cairia, devido aos incentivos às montadoras, reduzindo o papel do Estado.
Desde então, centrais e entidades industriais abordaram o governo de maneira isolada. (JV)
Valor

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