Otimismo ressurge em 2010, mas emprego e vendas devem ficar abaixo de 2008
O Sindimet - Sindicato das Empresas Metalúrgicas e de Material Elétrico de Joinville, realizou entre seus associados, na primeira quinzena de fevereiro, o levantamento “A Situação Econômica e As Perspectivas do Segmento Metalúrgico no Pós-Crise”. O levantamento reuniu dados de empresas que representam cerca de 70% dos empregos gerados em Joinville no setor. Metade das empresas pesquisadas é de grande porte (emprega mais de 1.000 trabalhadores) e metade é de pequeno e médio portes.
2009 terminou com queda no faturamento para 80% das empresas pesquisadas. Entre as empresas de grande porte, as reduções ficaram entre 22% e 34%. Entre as pequenas/médias, as variações negativas oscilaram muito, de um dígito a 60%. A exportação teve um peso significativo nos resultados, com quedas que vão de 32% a 52%. Em relação aos investimentos planejados para 2009, 70% das metalúrgicas cortaram todo ou em grande parte o valor previsto.
Das empresas pesquisadas, 80% começaram a recuperar os empregos cortados com a crise já no segundo semestre de 2009. De julho a dezembro de 2009, foram criadas 359 vagas, que representam um crescimento de 5% no volume de empregos do final do primeiro semestre. No primeiro mês de 2010, o ritmo das contratações aumentou: foram abertas 254 vagas. Com isso, a situação do emprego em fevereiro, se comparada ao primeiro semestre de 2009, fechou com um crescimento de 7,1%. No entanto, este número ainda é 9% inferior ao cenário pré-crise, em junho de 2008. Ou seja, entre as indústrias metalúrgicas pesquisadas ainda faltam reabrir 1.285 postos de trabalho para chegar ao mesmo patamar de dezembro de 2008.
Apesar de uma expectativa positiva para o ano, 30% das empresas entrevistadas destacaram que não devem alcançar o mesmo patamar de faturamento obtido em 2008. Quanto ao crescimento do emprego, além das contratações realizadas em janeiro, outras 645 vagas já estão previstas. Mantendo-se esta expectativa, 2010 encerrará com 640 postos de trabalho a menos do que no início da crise, em 2008.
A realização de eleições nas esferas federal e estadual em 2010 não deve impactar o desempenho das metalúrgicas de Joinville. As expectativas com eventuais mudanças na economia ficam para 2011, com o início de um novo governo. No entanto, o aquecimento do mercado interno com as obras de infra-estrutura para a Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016, já anima metade dos entrevistados no levantamento. Existe um entendimento de que tanto a Construção Civil quanto a economia em geral devem começar a sentir os efeitos positivos da preparação destes dois grandes eventos no país a partir deste ano.
O levantamento mostrou também que as maiores preocupações das empresas metalúrgicas dizem respeito aos elevados impostos e encargos aos quais as empresas estão sujeitas. A redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, por exemplo, não deverá gerar mais empregos, no entendimento do setor. Com a manutenção do mesmo salário, o custo para contratação de mais pessoas irá aumentar. Para manterem a competitividade as empresas deverão investir na otimização de processos e em treinamento das pessoas, o que poderá causar um efeito inverso, com demissões ao invés de contratações.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
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