sexta-feira, 29 de julho de 2011

Indústria de SP caminha para ano "medíocre", diz Fiesp

A atividade da indústria de transformação paulista teve forte desaceleração no primeiro semestre do ano, ao crescer apenas 3,4% sobre mesmo período de 2010. A variação é praticamente um terço da registrada de janeiro a junho do ano passado, quando o nível de atividade industrial de São Paulo havia crescido 12,7%. O número de 2011 também é o menor para o primeiro semestre desde 2007, com exceção de 2009, quando a atividade caiu 12,7% em consequência da crise financeira que atingiu em cheio o setor.
Segundo analistas consultados pelo Valor, o dado divulgado ontem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) antecede a Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, a ser publicada na próxima terça com os resultados de junho, que deve vir com estagnação, ou mesmo queda da produção fabril no mês.
Para Rogério César de Souza, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a perda de fôlego no primeiro semestre do ano era algo previsto, já que os primeiros seis meses de 2010 apenas recuperaram o tombo sofrido em 2009, mas, mesmo assim, o arrefecimento foi maior do que o esperado. "É um sinal bastante preocupante. A indústria paulista sempre influencia muito o resultado geral", diz.
O setor está vivendo um momento "nada favorável", avalia Souza, para quem os números de junho e do semestre indicam que a indústria está patinando, mas com tendência de retração ao longo do ano. A previsão do Iedi é que a produção industrial cresça ao redor de 3% em 2011, após avanço de 10,5% em 2010. "Eu tinha uma projeção mais otimista, de 3,5% no começo do ano, mas agora estou jogando ela para baixo".
O sócio-diretor da RC Consultores, Fábio Silveira, afirma que a indústria terá um "bom esfriamento" neste ano, atingida pelas medidas macroprudenciais, o aumento dos juros e o câmbio excessivamente valorizado, além da elevação do nível de inadimplência, que leva a uma desaceleração nas vendas. "O INA só ratifica que devemos fechar o ano com taxa de crescimento muito baixa." A RC estima expansão de 2,8% frente 2010.
Na avaliação da Fiesp, as perspectivas da indústria também denotam estagnação da atividade. O Sensor Fiesp, que mede as expectativas dos empresários paulistas sobre a economia brasileira nos próximos meses, subiu de 50,6 pontos em junho para 51 pontos em julho, interrompendo três meses consecutivos de queda.
O indicador, no entanto, ainda está abaixo dos 56,9 pontos registrados em março, mês anterior ao início da piora na confiança do empresariado paulista. Em julho do ano passado, o sensor estava em 52,4 pontos. O índice varia de zero a 100. Abaixo de 50 pontos, indica empresários pessimistas e, acima de 50, otimistas.
Segundo o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini, o número de julho demonstra o que a entidade espera para a indústria nos próximos meses. "O sensor está dizendo que nada de diferente vai acontecer no horizonte", diz.
Para Francini, nenhum dos cinco componentes do sensor apresenta variação significativa, o que aponta para um crescimento "medíocre" da indústria em 2011. "Estagnação é a melhor palavra. O PIB só tem crescimento expressivo quando a indústria de transformação cresce acima dele", sustenta.
Fonte: Valor Econômico

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Importação também afeta meta crescimento em fundição

O aumento de importações de metais fundidos para atender a indústria automobilística foi um banho de água fria no setor de fundição nacional, que revisou para baixo sua expectativa de crescimento de 10% para o segundo semestre do ano. Segundo Associação Brasileira de Fundição (Abifa), a expansão deve ser de 7% em 2011.
No acumulado de janeiro a junho, o setor também ficou abaixo da expectativa, com crescimento de 7,7%, de acordo com balanço divulgado ontem pela Abifa. O presidente da entidade, Devanir Brichesi, diz que a falta de uma política industrial efetiva permitiu avanço dos importados, desaquecendo o mercado interno. "Se esse índice for mantido até o final do ano já será uma grande vitória", diz Brichesi. "Para atingir a meta estipulada, precisaria crescer 13% ao mês, o que será impossível", acrescenta.
Segundo ele, o setor automotivo consome quase 60% da produção nacional de fundidos. Mas com a oferta da China a preços atrativos, as montadoras não tiveram escolha. "Precisamos urgente resgatar nossa competitividade", afirma, fazendo coro com o restante do setor produtivo, às vésperas do anúncio do plano do governo.
A redução das vendas colocou nível de utilização das fábricas de ferro e aço em 80% no semestre e o do alumínio, em 70%. "Há anos estamos produzindo muito menos que a capacidade instalada permite", finaliza.
No total da produção entre ferro, aço e os não ferrosos (cobre, zinco, alumínio e magnésio), ficou em 1.669 tonelada, ante 1,5 mil toneladas de 2010.
Aço nacional e mundial
A produção brasileira de aço subiu 4% em junho sobre igual período de 2010, segundo a Associação Mundial de Aço (WSA). O Brasil produziu 2,9 milhões de toneladas de aço bruto, ante 2,8 milhões em junho de 2010. A produção chinesa subiu 12% em junho.
Fonte: DCI

Fundição cresce com base em novos investimentos no setor de infraestutura.

De acordo com dados levantados pela Associação Brasileira de Fundição – Abifa, na comparação do mês de junho de 2010 e 2011, o setor de fundição de ferro, aço, não ferrosos, cobre, zinco, alumínio e magnésio, teve um acréscimo em sua produção de 2,7% neste ano. Na comparação de maio e junho de 2011 houve um aumento de 0,8%, uma diferença de volume de 2.212 toneladas.


Este aumento ainda não representa o índice ideal de produção, se comparado com os volumes alcançados em 2008, e ainda deixam longe a perspectiva de alcançar 10% de aumento na produção deste ano.
Com este cenário, os planos de investimentos do setor também sofreram alterações. Antes da crise de 2009, o investimento programado estava em US$ 1,2 bilhão para o período 2008 a 2013, contudo, hoje a programação até 2016 é de investimentos da ordem de US$ 1 bilhão.
O maior vilão das empresas de fundição nacionais, que fornecem 60% de suas produções para o setor automotivo, é o índice crescente da importação de veículos. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores - Abeiva, a previsão inicial de importação era de 165 mil unidades para 2011, porém, esta marca foi revista e projeta-se um volume de 185 mil unidades importadas até o final do ano.
No entanto, o setor de fundição tem enxergado, a partir do novo momento do setor de infraestrutura, novas perspectivas de negócios para manter o crescimento em sua produção. De acordo com a Abifa, parte dos investimentos será destinado aos setores ferroviários e óleo e gás.
Fonte: Infomet