sexta-feira, 6 de maio de 2011

CSN abre guerra contra importado

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou ontem que vai realizar diversos movimentos na cadeia produtiva para evitar a importação de aço, que no ano passado atingiu níveis muito elevados devido à crise financeira, que derrubou os preços no mercado internacional e levou empresas a realizarem estoques.
O diretor comercial da CSN, Luiz Fernando Martinez, afirmou durante teleconferência com analistas sobre o resultado da companhia que o patamar de importação ainda é elevado no país.
Segundo ele, no ano passado as importações chegaram a cerca de 25% do consumo. Hoje, estariam em torno de 12%. Mas o patamar ideal para que a indústria nacional conseguisse digerir, na opinião do diretor, seria em torno de 8%. "Mais do que isso é um absurdo, e seria um desastre para as cadeias produtivas", acrescentou.
Martinez afirmou estar fazendo movimentos na cadeia de utilização de aço para impedir a entrada de material importado no país. As negociações com montadoras já estão sendo iniciadas e a expectativa é de que estejam mais claras no segundo semestre.
O diretor da CSN acredita que as importações em abril já devem ser mais baixas do que a média registrada no primeiro trimestre. A importação de laminados a quente caiu 50% nos primeiros três meses do ano; a de produtos a frio, 60%; e apenas a queda de zincados ficou abaixo do esperado, com 30%.
De qualquer forma, ele admitiu que se o câmbio chegasse a US$ 1,63 já ajudaria muito a reduzir as importações. No entanto, Martinez considera que hoje há muitas variáveis a favor da não continuidade da importação, pois não valeria a pena correr o risco de importar somente em função do câmbio. Além disso, o diretor enxerga a possibilidade, inclusive, de realizar aumentos de preços.
"A gente trabalha de maneira cirúrgica no que diz respeito ao aumento de preços. A gente já implementou aumento na distribuição e na construção civil. Ainda teria espaço para mais", disse.
Ele acredita que haverá, inclusive, reajuste internacional de preços de produtos siderúrgicos. "Hoje, o mercado é orientado pela demanda da China e o custo no mundo. Não dá para a usina siderúrgica ficar dando prejuízo por muito tempo. Ninguém vai trabalhar para fazer prejuízo e perda".
Os preços do minério de ferro, atualmente, são controlados pela demanda chinesa, enquanto o aço é regido por custos, segundo Martinez. Mas a situação das matérias-primas foi considerada muito favorável a um aumento, ainda que discreto, no segundo semestre.
A expectativa é que os estoques sejam equalizados em um patamar confortável neste mês. Em fevereiro, chegou a um patamar considerado ideal, de 2,7 meses.
Valor

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Abimei defende importação de máquinas-ferramenta

Representantes da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (Abimei) estiveram em Brasília, na última quarta-feira, 27, para uma reunião com a Secretária de Comércio Exterior (Secex), Tatiana Lacerda Prazeres.  O presidente Ennio Crispino e o diretor Daniel de Carvalho argumentaram sobre a importância das máquinas-ferramenta e equipamentos industriais importados para o crescimento e aumento da competitividade do Brasil. “A questão que atinge o fabricante atualmente é que boa parte da indústria ou as multinacionais estão deixando de produzir peças e componentes no Brasil, preferindo trazer manufaturados do Exterior”, disse Crispino.
Os representantes também reforçaram o pedido, feito a um mês, de participar da elaboração da lista de produtos que passarão por critérios mais rigorosos de importação. Em encontro separado, Crispino e Carvalho levaram a mesma pauta ao diretor Operações da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Eduardo Abijaodi. O presidente da Abimei alertou os representantes da Secex e da CNI para o perigo de medidas excessivamente protecionistas levarem a uma desaceleração do crescimento, prejudicando ainda mais os fabricantes nacionais.  Segundo Crispino, o Governo demonstrou ver com cautela a imposição de barreiras tecnológicas à importação dos meios de produção, “por meio de certificações que a indústria nacional terá dificuldade em se adequar”, em sua opinião. “A ABIMEI participa do grupo do Inmetro/ ABNT que discute normas de segurança para prensas e está em negociação com o grupo de tubos e conexões de ferro”, afirma o presidente da ABIMEI.
O subsecretário de Comércio Internacional dos Estados Unidos, Francisco J. Sánchez, também se mostrou preocupado com as restrições à participação externa. "Entendo o interesse por trás disso, só não acho que seja o melhor para atingir objetivos de longo prazo. Isso não permite que você tire total proveito das melhores tecnologias e conhecimento no mundo", ressaltou Sánchez, que participou ontem do Fórum Econômico Mundial para a América Latina (WEF, na sigla em inglês), no Rio de Janeiro. "Em algo muito importante, como a energia, acho que é do interesse brasileiro ter a melhor tecnologia e o melhor conhecimento, não apenas tecnologia local, mas a melhor tecnologia, não importando de onde venha."
Fonte: CIMM com informação da assessoria e Valor Econômico - 02/05/2011


segunda-feira, 2 de maio de 2011




Falta de mão de obra qualificada ajuda sindicatos

Júlia Pitthan e Sérgio Bueno | De Florianópolis e Porto Alegre
Com o mercado aquecido na região Norte de Santa Catarina, as categorias ligadas ao setor metal-mecânico conseguiram ganhos reais nos reajustes do começo deste ano, mas eles ficaram abaixo de 1,5%. Já os trabalhadores da General Motors no Rio Grande do Sul negociaram um aumento semelhante ao obtido em São Paulo no ano passado, e os têxteis só receberam a inflação passada.
O Sindicato dos Mecânicos de Joinville e Região, entidade que representa cerca de 19 mil trabalhadores, acertou 7,5% de reajuste nos salários - sendo 1,2% de aumento real na bata-base, em maio. Segundo João Bruggmann, presidente do Sindicato dos Mecânicos, nos anos anteriores o ganho real não superou 1%. Conforme Renato Gruhl, presidente do Sindicato Patronal das Indústrias Mecânicas de Joinville e Região (Sindimec), a falta de mão-de-obra qualificada disponível na região exige a necessidade de reter os trabalhadores com experiência nas empresas.
Em Jaraguá do Sul, os metalúrgicos conquistaram, em janeiro, reajuste de 7,5% nos salários. O setor metal-mecânico congrega 19,5 mil trabalhadores formais na região e 230 empresas. Segundo Celio Bayer, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico de Jaraguá do Sul, a cidade enfrenta uma situação de pleno emprego com a geração de 4.350 novos postos de trabalho em 2010.
Em Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre, os 2,3 mil metalúrgicos da unidade local da General Motors, que têm data-base em primeiro de abril, fecharam acordo com a montadora e vão receber reajuste total de 10,5%, o que representa um aumento real próximo a 4%. No ano passado o índice global havia ficado em 7,3%, com 2% além da inflação. O aumento real deste ano foi semelhante ao pago pelas montadoras paulistas no segundo semestre
Segundo o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí (Simgra), vinculado à Força Sindical, Edson Dorneles, o acordo foi fechado na quarta-feira da semana passada, com mediação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Dois dias antes, em assembleia geral, os funcionários haviam decretado "estado de greve" porque não concordaram com a proposta da empresa, que ofereceu reajuste de 9%, ante a reivindicação inicial de 12% apresentada pelo sindicato.
A Federação dos Metalúrgicos do Rio Grande do Sul, ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), iniciou a campanha salarial deste ano cobrando aumento real de 7,5%, equivalente ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2010. Junto com o INPC acumulado em 12 meses até abril, o pedida supera 13%, e fica acima dos 8% obtidos em 2010, quando o ganho real ficou em 2,51%.
A campanha envolve 27 sindicatos do Estado, inclusive de Porto Alegre e da maior parte dos municípios da região metropolitana que têm data-base em 1º de maio e representam 130 mil dos 200 mil metalúrgicos gaúchos. Segundo o diretor da federação, Ademir Bueno, os metalúrgicos decidiram aumentar a reivindicação deste ano porque "o mercado está aquecido, as empresas estão faturando e vendendo como nunca e há escassez de mão de obra". De acordo com ele, a campanha deve "esquentar" a partir do início das negociações e os sindicatos poderão promover paralisações pontuais para pressionar pelo aumento
Valor

Ritmo da indústria acomoda, mas ainda é desigual entre setores

Sergio Lamucci | De São Paulo
O aumento das taxas de juros e as medidas de contenção ao crédito continuam provocando efeitos desiguais na indústria. Alguns setores importantes relatam perda de força nos últimos dois meses, como a distribuição de aço e o segmento eletroeletrônico. O setor de papelão ondulado, por sua vez, teve um primeiro trimestre de vendas modestas, enquanto no Polo Industrial de Manaus (PIM), o cenário é mais otimista, com volume significativo de encomendas. Indicador que tenta replicar o Produto Interno Bruto (PIB) mostra atividade de abril próxima de março, que recuou levemente sobre fevereiro.
No setor de distribuição de aço, depois de um primeiro trimestre bastante positivo, houve arrefecimento dos negócios em abril, segundo o presidente do Inda (associação do setor), Carlos Loureiro. Em fevereiro e março, diz ele, houve uma antecipação de compras em função do aumento de preços de 6% a 10% que entrou em vigor no começo do mês passado. "O primeiro trimestre teve um resultado muito bom, com alta de 12,4% em relação ao mesmo período de 2010, uma base de comparação elevada", diz Loureiro.
Para abril, porém, a expectativa é que a distribuição de aços planos tenha atingido 337 mil toneladas, 12% menos que em março deste ano e 1,5% abaixo do registrado em abril do ano passado. Loureiro diz que as usinas reclamam de uma programação fraca de pedidos para junho, indicando que não há um movimento firme de encomendas. "Há 45 dias, havia mais otimismo no setor", afirma ele. Segundo Loureiro, o volume um pouco mais fraco de pedidos ocorre em todos os segmentos, da indústria automobilística e de autopeças a de linha branca, passando pela construção civil, máquinas e equipamentos e máquinas agrícolas. "O segundo trimestre parece que vai ser bem mais fraco que o primeiro", diz ele.
No começo do ano, ele esperava alta de 15% para a distribuição de aço em 2011. Depois do desempenho dos quatro primeiros meses do ano, um crescimento de 12% lhe parece mais provável. Loureiro observa ainda que parte dessa alta é conquista de uma fatia de mercado que em 2010 ficou nas mãos dos importados. "Acho que consumo aparente de aço [produção mais importação, menos exportação] não cresce nada neste ano."
Empresas do polo de Manaus abriram seis mil empregos diretos nos primeiros três meses deste ano
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, também nota algum arrefecimento na situação do setor nos últimos dois meses. Na sondagem conjuntural feita pela entidade em março, 43% das empresas ouvidas relataram que o ritmo de negócios no mercado interno está conforme o esperado, um pouco abaixo dos 45% de fevereiro. Ao mesmo tempo, subiu de 35% para 41% o percentual de companhias que informaram negócios abaixo do que projetavam. A inflação em alta e o notíciário sobre a alta de juros podem ter alguma influência sobre o ânimo do consumidor, acredita Barbato, para quem o ambiente de extremo otimismo que havia no país começa a ser revertido. A Abinee, que projetava aumento de 12% do faturamento em 2011, pode revisar o número para 8% a 10%.
O presidente da Associação Brasileira de Papelão Ondulado (ABPO), Ricardo Trombini, viu um bom desempenho do segmento em março, quando a expedição ficou 1% abaixo do mesmo mês de 2010, que teve um dia útil a mais. A média diária, explica, ficou 2,4% maior. Segundo Trombini, as encomendas de embalagens seguem firmes nos setores de alimentos e higiene e limpeza, produtos em geral vendidos à vista, mais dependentes do comportamento da renda, que continua forte. Os pedidos dos fabricantes de bens duráveis (como eletroeletrônicos e móveis) mostraram uma pequena acomodação, diz ele, lembrando que esses são os setores mais ligados ao crédito. Embora os números de abril ainda não estejam fechados, Trombini considera possível um resultado semelhante ao do mesmo mês do ano passado.
Para 2011, Trombini aposta em alta de 4% para o setor, que pode ser revisto para 3%, a depender do impacto e da dosagem das medidas de combate à inflação.
No Polo Industrial de Manaus (PIM), o nível de produção e encomendas tem sido bastante positivo, segundo o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Wilson Périco. "A produção e as encomendas foram maiores que em março e abril de 2010, com o ritmo próximo ao do fim do ano passado", afirma ele. No primeiro bimestre, o faturamento foi 29% maior do que no mesmo período de 2010. Os setores de eletroeletrônicos, como o de televisões de LCD e celulares, vai bem, assim como o de motocicletas. "O comércio continua fazendo um volume expressivo de pedidos", diz Périco. "A produção e as encomendas seguem em ritmo forte. Não houve arrefecimento e as expectativas continuam positivas para os próximos dois meses pelos menos." Nesse quadro favorável, as empresas que atuam em Manaus contrataram 6 mil empregados no primeiro trimestre.
A alta dos juros e as restrições ao crédito não afetaram os negócios no PIM, diz ele. A renda em alta e a possibilidade de ainda financiar a compra em um número elevado de prestações mantêm o apetite do consumidor. No geral, Périco diz que a indústria de Manaus mostra um desempenho forte, que deve levar a um crescimento de 10% a 12% no faturamento neste ano, como ele já projetava em janeiro.
O Indicador de Atividade Econômica da LCA Consultores, que tenta captar a evolução mensal do Produto Interno Bruto (PIB), aponta para estabilidade em abril, na comparação com março, feito o ajuste sazonal. Em março, o IAE mostrou recuo de 0,6% da atividade em relação a fevereiro. O indicador é calculado a partir de dados como licenciamento de veículos, consumo de energia expurgado da influência da temperatura, o valor exportado e importado e a trajetória de dinheiro poder da população. De 1 a 27 de abril, o consumo de energia ajustado pela temperatura subiu 1,8% em relação ao mês anterior. Em março, ele havia caído 5,2% Já o licenciamento de automóveis e comerciais leves subiu 1% em março e 2,3% em abril, sempre na série com ajuste sazonal.
Valor