quarta-feira, 13 de abril de 2011
Sindicatos de esquerda pregam o conflito
Quando acompanhou o 3º Congresso da Central Única dos Trabalhadores (CUT), realizado em 1988, o cientista político Leôncio Martins Rodrigues anotou em seu livro "CUT: Os militantes e a ideologia" que todas as teses apresentadas pelos diferentes dirigentes sindicais filiados à central mantinham a concepção do marxismo e do comunismo, ou seja, "da divisão da sociedade em dois campos opostos, o dos exploradores e o dos explorados". Os termos, abandonados pela CUT há muitos anos, ainda são usados como bordões por correntes de esquerda.
À frente da CUT no mundo político estava o Partido dos Trabalhadores (PT) e, do lado sindical, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, que fora presidido por Luiz Inácio Lula da Silva, fundador do PT, e que nos anos 80 era liderado por Jair Meneguelli, também primeiro presidente da CUT. Centro das famosas "greves do ABC" entre 1979 e 1982, e do "movimento dos golas vermelhas", que parou a Ford em 1990, o sindicato passou a encampar a bandeira das negociações com os antes mal vistos patrões nos últimos anos.
Hoje, a Ford distribui aos funcionários um folheto onde está escrito: "Sindicato e companhia [estão] trabalhando juntos em um ambiente saudável, estável e de progresso, que atenda integralmente as estratégias de relações trabalhistas e do negócio." O presidente do sindicato, Sergio Nobre, afirma que "há espaço para convergência em todos os pontos discutidos entre empresa e sindicato, afinal, somos beneficiados pelos investimentos das companhias, então não podemos ser entraves, ao contrário."
Nas duas salas de Comitê Sindical de Empresa (CSE) em São Bernardo do Campo e Diadema, da Ford e da IGP, respectivamente, os integrantes dos comitês dispunham de boa infraestrutura: mesa, computador, telefone, máquinas de café e água, além de móveis para arquivo e documentos. Na Ford, o comitê é todo decorado com motivos do PT, enquanto que na IGP, a sala era improvisada, uma vez que a operários trabalhavam na construção de um espaço autônomo, e maior, para a instalação do comitê.
Empregados e empresários, na pequena IGP, dividem o mesmo bandejão, que na quarta-feira serve rabada e costela de porco, acompanhada de arroz à grega, feijão, batatas e salada de folhas verdes. Na Ford, durante a visita da reportagem à linha de montagem, o gerente de fábrica chegou a parar a comitiva para destacar que um operário, em meio aos outros 3.088 metalúrgicos na unidade, era o pai do jogador Lucas, da seleção brasileira de futebol e do São Paulo Futebol Clube. O metalúrgico, que não poderia deixar suas funções de lado, acenou de longe.
Essa relação, que diverge da veia socialista da fundação da CUT, que previa "interesses inconciliáveis entre patrões e empregados", é mal vista por sindicalistas da esquerda. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, filiado desde 2005 à Conlutas, central ligada ao PSTU, formada após um racha na CUT, é crítico à política sindical do ABC. O sindicato não mantém negociações com a única montadora no município, a General Motors (GM).
Segundo Vivaldo dos Santos, presidente do sindicato, os comitês sindicais instalados no ABC não são independentes. "Eles só defendem os interesses das empresas, há toda uma cumplicidade entre patrões e empresários lá", diz Santos, que vê interesses inconciliáveis entre as partes. "Os patrões precisam nos atacar para ampliar o lucro, e nós precisamos atacá-los para aumentar nossos benefícios, então não há espaço para harmonia, apenas para conflitos", afirma o sindicalista, para quem as negociações com a GM, são "e devem ser" mínimas. (JV)
Valor
À frente da CUT no mundo político estava o Partido dos Trabalhadores (PT) e, do lado sindical, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, que fora presidido por Luiz Inácio Lula da Silva, fundador do PT, e que nos anos 80 era liderado por Jair Meneguelli, também primeiro presidente da CUT. Centro das famosas "greves do ABC" entre 1979 e 1982, e do "movimento dos golas vermelhas", que parou a Ford em 1990, o sindicato passou a encampar a bandeira das negociações com os antes mal vistos patrões nos últimos anos.
Hoje, a Ford distribui aos funcionários um folheto onde está escrito: "Sindicato e companhia [estão] trabalhando juntos em um ambiente saudável, estável e de progresso, que atenda integralmente as estratégias de relações trabalhistas e do negócio." O presidente do sindicato, Sergio Nobre, afirma que "há espaço para convergência em todos os pontos discutidos entre empresa e sindicato, afinal, somos beneficiados pelos investimentos das companhias, então não podemos ser entraves, ao contrário."
Nas duas salas de Comitê Sindical de Empresa (CSE) em São Bernardo do Campo e Diadema, da Ford e da IGP, respectivamente, os integrantes dos comitês dispunham de boa infraestrutura: mesa, computador, telefone, máquinas de café e água, além de móveis para arquivo e documentos. Na Ford, o comitê é todo decorado com motivos do PT, enquanto que na IGP, a sala era improvisada, uma vez que a operários trabalhavam na construção de um espaço autônomo, e maior, para a instalação do comitê.
Empregados e empresários, na pequena IGP, dividem o mesmo bandejão, que na quarta-feira serve rabada e costela de porco, acompanhada de arroz à grega, feijão, batatas e salada de folhas verdes. Na Ford, durante a visita da reportagem à linha de montagem, o gerente de fábrica chegou a parar a comitiva para destacar que um operário, em meio aos outros 3.088 metalúrgicos na unidade, era o pai do jogador Lucas, da seleção brasileira de futebol e do São Paulo Futebol Clube. O metalúrgico, que não poderia deixar suas funções de lado, acenou de longe.
Essa relação, que diverge da veia socialista da fundação da CUT, que previa "interesses inconciliáveis entre patrões e empregados", é mal vista por sindicalistas da esquerda. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, filiado desde 2005 à Conlutas, central ligada ao PSTU, formada após um racha na CUT, é crítico à política sindical do ABC. O sindicato não mantém negociações com a única montadora no município, a General Motors (GM).
Segundo Vivaldo dos Santos, presidente do sindicato, os comitês sindicais instalados no ABC não são independentes. "Eles só defendem os interesses das empresas, há toda uma cumplicidade entre patrões e empresários lá", diz Santos, que vê interesses inconciliáveis entre as partes. "Os patrões precisam nos atacar para ampliar o lucro, e nós precisamos atacá-los para aumentar nossos benefícios, então não há espaço para harmonia, apenas para conflitos", afirma o sindicalista, para quem as negociações com a GM, são "e devem ser" mínimas. (JV)
Valor
Horário flexível faz crescer o engajamento dos funcionários
Claudia Pohlmann, diretora de RH da DuPont, diz que na empresa é possível sair ou entrar mais cedo para deixar filhos na escola ou fugir do trânsito
Companhias que oferecem flexibilidade de horários têm funcionários mais engajados e satisfeitos. Levantamento global realizado com 3.300 gerentes e profissionais mostra que políticas nesse sentido ajudam a levantar os índices de retenção nas organizações em 25% no caso dos homens e em 40% entre as mulheres. O estudo indica que quanto mais específicos e customizados forem esses programas para atender os diferentes perfis dos colaboradores, melhores serão os resultados para as empresas.
"Oferecer essas alternativas aumenta significativamente o bem-estar dos trabalhadores, mas é preciso entender quais modelos se encaixam melhor para cada um deles", afirma Marcial Rapela, sócio da consultoria Bain & Company, responsável pela pesquisa.
No caso da IBM, empresa que possui 400 mil funcionários em todo o mundo, oferecer programas customizados de flexibilidade foi a solução para atender às necessidades de pessoas que trabalham em turnos deslocados ou em cidades onde não há escritórios da companhia, por exemplo.
Gabriela Herz Francoio, gerente do programa de diversidade da empresa, afirma que uma das alternativas mais populares é o home office, praticado por pelo menos 10% dos colaboradores no Brasil e no mundo. Até mesmo dentro desse sistema existe maleabilidade. Para algumas pessoas há possibilidade de alternar dias de trabalho em casa e no escritório. "É uma forma de usufruir dos benefícios do trabalho em casa sem perder o contato com o escritório", afirma Gabriela, que também aderiu à prática duas vezes por semana.
A IBM possibilita a negociação de uma semana ou um dia de trabalho mais flexível - o profissional pode entrar mais tarde, sair mais cedo e até mesmo compensar horas não trabalhadas em outro dia -, além de licenças não remuneradas que podem durar até 3 anos.
Cada tipo de flexibilidade, porém, possui um público "ideal", que muda de acordo com o momento pessoal e de carreira. Segundo a pesquisa, existem funcionários que abrem mão de crescer rapidamente na empresa para trabalhar menos horas e ter uma rotina mais planejada. Outros são mais ambiciosos e buscam desafios e resultados, mesmo que isso signifique um dia a dia imprevisível.
Na DuPont, empresa do setor têxtil com 2.500 funcionários no Brasil, há opções como licenças não remuneradas, que atendem desde profissionais que querem se dedicar temporariamente aos estudos a mães que desejam estender a licença maternidade além do tempo regulamentar. Também existe a possibilidade de mudar os horários de entrada e saída do trabalho, caso o profissional tenha que deixar os filhos na escola ou queira fugir do trânsito. Segundo Claudia Pohlmann, diretora de RH da empresa, a ideia é reforçar o conceito de equilíbrio entre vida pessoal e profissional. "Na prática, todos os públicos são receptivos e valorizam algum tipo de flexibilidade."
Mesmo assim, existe uma parcela de trabalhadores que ainda resiste na hora de aderir a essas políticas. Na indústria de engenharia SKF, empresa com 980 funcionários no Brasil, há aqueles que não abrem mão de ficar no escritório. A empresa implementou o home office para as áreas administrativas há três anos. De acordo com Antonio Boueri, diretor de RH da companhia, essa é uma alternativa normalmente rejeitada por profissionais que precisam do contato diário com os colegas ou que não têm um ambiente adequado em casa para trabalhar. "Na área comercial, é uma prática bem recebida. Para as demais, existe desde inadequação até preocupação de parecer pouco importante ou desprestigiado", afirma.
No caso dos funcionários mais jovens, porém, a visão já começa a mudar. Segundo Boueri, eles são os que melhor se adaptam a esse tipo de programa oferecido pela empresa. Um dado do levantamento confirma a tendência: 86% dos profissionais de até 30 anos esperam algum tipo de flexibilidade de seus empregadores.
Desenvolver projetos que ofereçam maleabilidade de horários, no entanto, não é suficiente. Segundo Rapela, da Bain & Company, é importante que os funcionários sejam estimulados a usá-los. A pesquisa mostra que, em média, 60% das empresas possuem algum modelo flexível, mas apenas 18% delas têm essas opções aproveitadas amplamente pelos profissionais. "É importante deixar claro que as pessoas que optam por essa possibilidade não perderão oportunidades de carreira e nem o respeito de colegas, clientes e chefes", diz.
A diretora de RH da DuPont afirma que afastar essa preocupação foi parte de um projeto de educação da empresa. Em 1994, quando deu início aos programas de flexibilidade, a companhia elaborou um guia que ajudava as pessoas a enfrentar a nova realidade e a entender o que era o home office. Hoje, essa política está totalmente incorporada pelos profissionais. "O conceito evoluiu muito. O profissional percebe que não estar fisicamente no escritório não o afasta do time", afirma.
Valor
Companhias que oferecem flexibilidade de horários têm funcionários mais engajados e satisfeitos. Levantamento global realizado com 3.300 gerentes e profissionais mostra que políticas nesse sentido ajudam a levantar os índices de retenção nas organizações em 25% no caso dos homens e em 40% entre as mulheres. O estudo indica que quanto mais específicos e customizados forem esses programas para atender os diferentes perfis dos colaboradores, melhores serão os resultados para as empresas.
"Oferecer essas alternativas aumenta significativamente o bem-estar dos trabalhadores, mas é preciso entender quais modelos se encaixam melhor para cada um deles", afirma Marcial Rapela, sócio da consultoria Bain & Company, responsável pela pesquisa.
No caso da IBM, empresa que possui 400 mil funcionários em todo o mundo, oferecer programas customizados de flexibilidade foi a solução para atender às necessidades de pessoas que trabalham em turnos deslocados ou em cidades onde não há escritórios da companhia, por exemplo.
Gabriela Herz Francoio, gerente do programa de diversidade da empresa, afirma que uma das alternativas mais populares é o home office, praticado por pelo menos 10% dos colaboradores no Brasil e no mundo. Até mesmo dentro desse sistema existe maleabilidade. Para algumas pessoas há possibilidade de alternar dias de trabalho em casa e no escritório. "É uma forma de usufruir dos benefícios do trabalho em casa sem perder o contato com o escritório", afirma Gabriela, que também aderiu à prática duas vezes por semana.
A IBM possibilita a negociação de uma semana ou um dia de trabalho mais flexível - o profissional pode entrar mais tarde, sair mais cedo e até mesmo compensar horas não trabalhadas em outro dia -, além de licenças não remuneradas que podem durar até 3 anos.
Cada tipo de flexibilidade, porém, possui um público "ideal", que muda de acordo com o momento pessoal e de carreira. Segundo a pesquisa, existem funcionários que abrem mão de crescer rapidamente na empresa para trabalhar menos horas e ter uma rotina mais planejada. Outros são mais ambiciosos e buscam desafios e resultados, mesmo que isso signifique um dia a dia imprevisível.
Na DuPont, empresa do setor têxtil com 2.500 funcionários no Brasil, há opções como licenças não remuneradas, que atendem desde profissionais que querem se dedicar temporariamente aos estudos a mães que desejam estender a licença maternidade além do tempo regulamentar. Também existe a possibilidade de mudar os horários de entrada e saída do trabalho, caso o profissional tenha que deixar os filhos na escola ou queira fugir do trânsito. Segundo Claudia Pohlmann, diretora de RH da empresa, a ideia é reforçar o conceito de equilíbrio entre vida pessoal e profissional. "Na prática, todos os públicos são receptivos e valorizam algum tipo de flexibilidade."
Mesmo assim, existe uma parcela de trabalhadores que ainda resiste na hora de aderir a essas políticas. Na indústria de engenharia SKF, empresa com 980 funcionários no Brasil, há aqueles que não abrem mão de ficar no escritório. A empresa implementou o home office para as áreas administrativas há três anos. De acordo com Antonio Boueri, diretor de RH da companhia, essa é uma alternativa normalmente rejeitada por profissionais que precisam do contato diário com os colegas ou que não têm um ambiente adequado em casa para trabalhar. "Na área comercial, é uma prática bem recebida. Para as demais, existe desde inadequação até preocupação de parecer pouco importante ou desprestigiado", afirma.
No caso dos funcionários mais jovens, porém, a visão já começa a mudar. Segundo Boueri, eles são os que melhor se adaptam a esse tipo de programa oferecido pela empresa. Um dado do levantamento confirma a tendência: 86% dos profissionais de até 30 anos esperam algum tipo de flexibilidade de seus empregadores.
Desenvolver projetos que ofereçam maleabilidade de horários, no entanto, não é suficiente. Segundo Rapela, da Bain & Company, é importante que os funcionários sejam estimulados a usá-los. A pesquisa mostra que, em média, 60% das empresas possuem algum modelo flexível, mas apenas 18% delas têm essas opções aproveitadas amplamente pelos profissionais. "É importante deixar claro que as pessoas que optam por essa possibilidade não perderão oportunidades de carreira e nem o respeito de colegas, clientes e chefes", diz.
A diretora de RH da DuPont afirma que afastar essa preocupação foi parte de um projeto de educação da empresa. Em 1994, quando deu início aos programas de flexibilidade, a companhia elaborou um guia que ajudava as pessoas a enfrentar a nova realidade e a entender o que era o home office. Hoje, essa política está totalmente incorporada pelos profissionais. "O conceito evoluiu muito. O profissional percebe que não estar fisicamente no escritório não o afasta do time", afirma.
Valor
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Brasil quer parceria chinesa na área de inovação
Ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, explica que parte dos recursos para investimentos deve vir da receita obtida na exploração de recursos naturais, como petróleo e minério
Da Agência Estado
O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse ontem em Pequim que a exploração das reservas do pré-sal vai aumentar ainda mais o peso dos bens básicos na pauta de exportações do Brasil, que corre o risco de "ficar prisioneiro da doença holandesa", fenômeno que provoca a desindustrialização em razão da forte apreciação do câmbio decorrente da exportação de produtos básicos. A entrada de dólares já levou a uma significativa alta do real, que hoje é o "problema fundamental" da falta de competitividade brasileira, avaliou Mercadante, que chegou ontem à capital chinesa para acompanhar a visita que a presidente Dilma Rousseff inicia ao país.
"Por que nosso superávit comercial caiu de US$ 40 bilhões para US$ 20 bilhões?", questionou o ministro. Segundo ele, não foi por causa dos juros altos, da carga tributária e das deficiências de infraestrutura, fatores responsáveis pela falta de competitividade brasileira. Foi por causa do câmbio.
O ministro não disse, mas o problema é especialmente agudo na relação com a China, país que intervém pesadamente para manter sua moeda em patamar depreciado em relação ao dólar, enquanto o real se valoriza de maneira constante. Em sua opinião, o caminho para mudar o perfil das exportações e da economia brasileira é o investimento em inovação. Um dos pontos altos da visita presidencial será a busca de parcerias com os chineses na área. Parte dos recursos para investimentos deve vir da receita obtida na exploração de recursos naturais, como petróleo e minério, observou o ministro.
O desequilíbrio na qualidade da pauta do comércio bilateral foi demonstrado por Mercadante com números enfáticos: o preço médio do que a China exporta para o Brasil é de US$ 3 mil a tonelada, enquanto o do que o Brasil vende para a China é de US$ 163. O Brasil também quer aprender com a experiência da China, que investe quase 2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento e colocou a inovação no centro do Plano Quinquenal para o período 2011-2015, disse Mercadante. Em sua opinião, sem uma estratégia clara nesse setor, o Brasil tende a ser exportador de produtos primários e importador de bens de alto valor agregado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Revista Amanhã
Da Agência Estado
O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse ontem em Pequim que a exploração das reservas do pré-sal vai aumentar ainda mais o peso dos bens básicos na pauta de exportações do Brasil, que corre o risco de "ficar prisioneiro da doença holandesa", fenômeno que provoca a desindustrialização em razão da forte apreciação do câmbio decorrente da exportação de produtos básicos. A entrada de dólares já levou a uma significativa alta do real, que hoje é o "problema fundamental" da falta de competitividade brasileira, avaliou Mercadante, que chegou ontem à capital chinesa para acompanhar a visita que a presidente Dilma Rousseff inicia ao país.
"Por que nosso superávit comercial caiu de US$ 40 bilhões para US$ 20 bilhões?", questionou o ministro. Segundo ele, não foi por causa dos juros altos, da carga tributária e das deficiências de infraestrutura, fatores responsáveis pela falta de competitividade brasileira. Foi por causa do câmbio.
O ministro não disse, mas o problema é especialmente agudo na relação com a China, país que intervém pesadamente para manter sua moeda em patamar depreciado em relação ao dólar, enquanto o real se valoriza de maneira constante. Em sua opinião, o caminho para mudar o perfil das exportações e da economia brasileira é o investimento em inovação. Um dos pontos altos da visita presidencial será a busca de parcerias com os chineses na área. Parte dos recursos para investimentos deve vir da receita obtida na exploração de recursos naturais, como petróleo e minério, observou o ministro.
O desequilíbrio na qualidade da pauta do comércio bilateral foi demonstrado por Mercadante com números enfáticos: o preço médio do que a China exporta para o Brasil é de US$ 3 mil a tonelada, enquanto o do que o Brasil vende para a China é de US$ 163. O Brasil também quer aprender com a experiência da China, que investe quase 2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento e colocou a inovação no centro do Plano Quinquenal para o período 2011-2015, disse Mercadante. Em sua opinião, sem uma estratégia clara nesse setor, o Brasil tende a ser exportador de produtos primários e importador de bens de alto valor agregado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Revista Amanhã
Um ProUni para o ensino técnico
O programa que aloca estudantes da rede pública em instituições privadas pode servir de modelo para o governo cumprir uma promessa difícil: expandir o ensino profissionaliznte em turno integral
Por Marcos Graciani
Logo na primeira semana de governo, a presidente Dilma Rousseff deu encaminhamento a uma proposta que, há tempos, era reivindicada não só por professores e pedagogos mas também por alguns dos setores mais importantes da indústria: a expansão da oferta de ensino médio integrado com o técnico – e em turno integral. Levada a Dilma pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, a proposta permite que estudantes de todo o país passem pelos cursos regular e profissionalizante em turnos alternados. O modelo já é adotado (com sucesso) pelo chamado Sistema S, um grupo de entidades industriais que inclui Senai, Senac e Senar.
A ideia tem um propósito claro: acelerar a formação – e reduzir a escassez – de técnicos para a indústria. Na região sul, por exemplo, os representantes das três federações de indústrias afirmam em uníssono que o programa chega em hora apropriada. “É um projeto extremamente importante para um país que ainda precisa desenvolver muita tecnologia e, para isso, necessita formar muitos técnicos”, assegura Paulo Tigre, presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs).
Para os estudantes, esse modelo “híbrido” representa uma oportunidade de construir um currículo atraente em pouco tempo – e sem abrir mão da formação básica que o ensino médio regular oferece. Conforme os dados do Serviço Nacional da Indústria do Paraná (Senai-PR), quase 90% dos estudantes garantem um emprego até mesmo antes de finalizar o curso – o percentual vem aumentando gradualmente, há 30 anos, desde que os dados começaram a ser computados. Só no Paraná, a expectativa é de que o número de vagas nas escolas técnicas dobre para 12 mil até o final deste ano. “A escola técnica exige uma postura diferente do estudante. O estímulo para a busca do conhecimento é outro”, aponta João Barreto Lopes, diretor regional do Senai-PR.
Gargalos crônicos
Embora pareça animadora à primeira vista, a ideia de proporcionar turno integral com ensino técnico esbarra em alguns obstáculos – e dos grandes. Um deles é o fato de que ainda não existe, no país, estrutura suficiente para que o sistema público leve esse modelo para a totalidade dos estudantes. Atualmente, existem apenas 800 mil vagas no ensino técnico, uma ninharia para os mais de 8 milhões de jovens que ocupam as classes do ensino médio. O governo federal é responsável por menos da metade das vagas existentes (348 mil). O restante é coberto por instituições particulares e pelo Sistema S. De início, Dilma promete inaugurar mais 46 escolas públicas até o final deste ano. Até 2014, o total deve subir para 371 – praticamente sete novas unidades por mês –, com um investimento total de R$ 2,2 bilhões. Entretanto, mesmo que a meta seja cumprida à risca, o governo conseguirá elevar o número de vagas em apenas 50%.
"A escola técnica exige uma postura diferente do estudante. É outro estímulo."
João Barreto Lopes Diretor regional do Senai-PR
Além disso, há outro velho gargalo que pode complicar, e muito, a concretização do plano: a falta de professores qualificados. Conforme os dados da Câmara de Educação Básica, que faz parte do Conselho Nacional de Educação (CNE), o Brasil teria de formar pelo menos 300 mil professores só para atender à demanda já existente no ensino técnico profissionalizante. Os cursos mais desassistidos são, justamente, os que fornecem mão de obra para os setores mais aquecidos da economia brasileira, tais como o de petróleo e gás, mecânica naval e mecatrônica. E tudo leva a crer que vai demorar para que esse gap deixe de existir. Pelos dados da Cãmara de Educação Básica, as universidades praticamente não formam professores para o ensino técnico nessas áreas. Os únicos disponíveis são os próprios egressos das escolas profissionalizantes e do Sistema S.
Finalmente, há as dificuldades crônicas de investimento em educação. Para integrar o ensino médio com o profissionalizante, o governo precisaria aplicar pelo menos R$ 21 bilhões, conforme os cálculos da CNE. O valor pode mais do que dobrar caso o governo dê ênfase à criação de vagas nas áreas mais estratégicas, como a de petróleo e gás. Em média, um aluno no ensino profissionalizante custa aos cofres públicos cerca de R$ 3 mil por ano em cursos básicos, como os de secretariado. Para cursos mais avançados, como os de mecatrônica, a conta pode chegar a R$ 7 mil por ano.
Para superar esse desafio, o governo cogita criar um sistema de bolsas nos mesmos moldes do ProUni, de tal forma que as vagas do ensino público possam ser alocadas em instituições privadas. Outra alternativa é buscar meios mais baratos, tais como a educação a distância. “O governo precisará formar educadores para viabilizar essa empreitada de forma rápida e eficaz. A educação a distância talvez seja uma excelente solução para vencer esta barreira”, diz Pedro Paulo Carbone, diretor executivo da Faculdade Ibmec Brasília e mestre em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Alternativas
Em Minas Gerais, a Secretaria de Educação adotou uma solução semelhante à do ProUni para expandir as vagas no ensino profissionalizante. Os resultados foram animadores. Por meio do Programa de Educação Profissional, o governo mineiro abriu uma licitação para remunerar as escolas particulares no atendimento de estudantes da rede pública. Cada aluno custa, em média, R$ 4 mil por ano.
Desde que foi lançado, em 2008, o “PEP, como é chamado, já absorveu investimentos de R$ 440 milhões. Hoje, beneficia 133 mil estudantes – todos com dedicação em dois turnos. “Procuramos justamente instituições que já possuem know-how no setor, pois sabemos da dificuldade envolvendo a formação de professores. Os resultados estão sendo bastante animadores”, conta Raquel de Souza Santos, subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica de Minas Gerais. Antes do início do programa, diz ela, a rede pública mineira oferecia apenas 6 mil vagas.
A iniciativa pode ganhar adesões em breve. O governo de Minas Gerais já recebeu visitas de representantes das Secretarias de Educação de seteEstados, incluindo-se aí os três que compõem a região sul. De acordo com Sérgio Roberto Arruda, diretor do Senai-SC, as 36 unidades da instituição espalhadas por todo o Estado poderão ser utilizadas como molas propulsoras para um programa semelhante em Santa Catarina. “Há um grande interesse de unir o ensino formal ao profissional aqui”, destaca ele.
Revista Amanhã
Por Marcos Graciani
Logo na primeira semana de governo, a presidente Dilma Rousseff deu encaminhamento a uma proposta que, há tempos, era reivindicada não só por professores e pedagogos mas também por alguns dos setores mais importantes da indústria: a expansão da oferta de ensino médio integrado com o técnico – e em turno integral. Levada a Dilma pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, a proposta permite que estudantes de todo o país passem pelos cursos regular e profissionalizante em turnos alternados. O modelo já é adotado (com sucesso) pelo chamado Sistema S, um grupo de entidades industriais que inclui Senai, Senac e Senar.
A ideia tem um propósito claro: acelerar a formação – e reduzir a escassez – de técnicos para a indústria. Na região sul, por exemplo, os representantes das três federações de indústrias afirmam em uníssono que o programa chega em hora apropriada. “É um projeto extremamente importante para um país que ainda precisa desenvolver muita tecnologia e, para isso, necessita formar muitos técnicos”, assegura Paulo Tigre, presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs).
Para os estudantes, esse modelo “híbrido” representa uma oportunidade de construir um currículo atraente em pouco tempo – e sem abrir mão da formação básica que o ensino médio regular oferece. Conforme os dados do Serviço Nacional da Indústria do Paraná (Senai-PR), quase 90% dos estudantes garantem um emprego até mesmo antes de finalizar o curso – o percentual vem aumentando gradualmente, há 30 anos, desde que os dados começaram a ser computados. Só no Paraná, a expectativa é de que o número de vagas nas escolas técnicas dobre para 12 mil até o final deste ano. “A escola técnica exige uma postura diferente do estudante. O estímulo para a busca do conhecimento é outro”, aponta João Barreto Lopes, diretor regional do Senai-PR.
Gargalos crônicos
Embora pareça animadora à primeira vista, a ideia de proporcionar turno integral com ensino técnico esbarra em alguns obstáculos – e dos grandes. Um deles é o fato de que ainda não existe, no país, estrutura suficiente para que o sistema público leve esse modelo para a totalidade dos estudantes. Atualmente, existem apenas 800 mil vagas no ensino técnico, uma ninharia para os mais de 8 milhões de jovens que ocupam as classes do ensino médio. O governo federal é responsável por menos da metade das vagas existentes (348 mil). O restante é coberto por instituições particulares e pelo Sistema S. De início, Dilma promete inaugurar mais 46 escolas públicas até o final deste ano. Até 2014, o total deve subir para 371 – praticamente sete novas unidades por mês –, com um investimento total de R$ 2,2 bilhões. Entretanto, mesmo que a meta seja cumprida à risca, o governo conseguirá elevar o número de vagas em apenas 50%.
"A escola técnica exige uma postura diferente do estudante. É outro estímulo."
João Barreto Lopes Diretor regional do Senai-PR
Além disso, há outro velho gargalo que pode complicar, e muito, a concretização do plano: a falta de professores qualificados. Conforme os dados da Câmara de Educação Básica, que faz parte do Conselho Nacional de Educação (CNE), o Brasil teria de formar pelo menos 300 mil professores só para atender à demanda já existente no ensino técnico profissionalizante. Os cursos mais desassistidos são, justamente, os que fornecem mão de obra para os setores mais aquecidos da economia brasileira, tais como o de petróleo e gás, mecânica naval e mecatrônica. E tudo leva a crer que vai demorar para que esse gap deixe de existir. Pelos dados da Cãmara de Educação Básica, as universidades praticamente não formam professores para o ensino técnico nessas áreas. Os únicos disponíveis são os próprios egressos das escolas profissionalizantes e do Sistema S.
Finalmente, há as dificuldades crônicas de investimento em educação. Para integrar o ensino médio com o profissionalizante, o governo precisaria aplicar pelo menos R$ 21 bilhões, conforme os cálculos da CNE. O valor pode mais do que dobrar caso o governo dê ênfase à criação de vagas nas áreas mais estratégicas, como a de petróleo e gás. Em média, um aluno no ensino profissionalizante custa aos cofres públicos cerca de R$ 3 mil por ano em cursos básicos, como os de secretariado. Para cursos mais avançados, como os de mecatrônica, a conta pode chegar a R$ 7 mil por ano.
Para superar esse desafio, o governo cogita criar um sistema de bolsas nos mesmos moldes do ProUni, de tal forma que as vagas do ensino público possam ser alocadas em instituições privadas. Outra alternativa é buscar meios mais baratos, tais como a educação a distância. “O governo precisará formar educadores para viabilizar essa empreitada de forma rápida e eficaz. A educação a distância talvez seja uma excelente solução para vencer esta barreira”, diz Pedro Paulo Carbone, diretor executivo da Faculdade Ibmec Brasília e mestre em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Alternativas
Em Minas Gerais, a Secretaria de Educação adotou uma solução semelhante à do ProUni para expandir as vagas no ensino profissionalizante. Os resultados foram animadores. Por meio do Programa de Educação Profissional, o governo mineiro abriu uma licitação para remunerar as escolas particulares no atendimento de estudantes da rede pública. Cada aluno custa, em média, R$ 4 mil por ano.
Desde que foi lançado, em 2008, o “PEP, como é chamado, já absorveu investimentos de R$ 440 milhões. Hoje, beneficia 133 mil estudantes – todos com dedicação em dois turnos. “Procuramos justamente instituições que já possuem know-how no setor, pois sabemos da dificuldade envolvendo a formação de professores. Os resultados estão sendo bastante animadores”, conta Raquel de Souza Santos, subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica de Minas Gerais. Antes do início do programa, diz ela, a rede pública mineira oferecia apenas 6 mil vagas.
A iniciativa pode ganhar adesões em breve. O governo de Minas Gerais já recebeu visitas de representantes das Secretarias de Educação de seteEstados, incluindo-se aí os três que compõem a região sul. De acordo com Sérgio Roberto Arruda, diretor do Senai-SC, as 36 unidades da instituição espalhadas por todo o Estado poderão ser utilizadas como molas propulsoras para um programa semelhante em Santa Catarina. “Há um grande interesse de unir o ensino formal ao profissional aqui”, destaca ele.
Revista Amanhã
Abimaq: máquinas asiáticas invadiram o mercado
10/04/2011) - “O mercado brasileiro está sendo invadido por máquinas e equipamentos importados”. Essa a opinião de Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq, ao apresentar o balanço do setor no primeiro bimestre de 2011.
Segundo os dados apresentados pela Abimaq, o déficit comercial no período já registra US$ 2,4 bilhões (importações de US$ 4,1 bilhões contra exportações de US$ 1,66 bilhão). Na opinião do dirigente, em 2011 o déficit deve dobrar em relação ao ano passado, chegando a US$ 30 bilhões.
No primeiro bimestre de 2011, as importações de bens de capital da China e da Coréia do Sul cresceram, respectivamente, 63,1% e 83,9%, em comparação ao mesmo período de 2010. “Para sobreviver a essa invasão asiática, o setor de máquinas e equipamentos precisa que o governo sejam adotadas medidas emergenciais, incluindo barreiras técnicas, necessárias à proteção da indústria nacional”, disse o presidente da Abimaq. “Precisamos acompanhar o que o mundo todo já faz, dando condições competitivas ao fabricante nacional”.
FATURAMENTO DO SETOR - O faturamento bruto deflacionado do setor de máquinas e equipamentos em fevereiro de 2011 foi de R$ 5,81 bilhões, volume 12% superior ao do mês de janeiro de 2011 e de 11,8% em relação a fevereiro de 2010. O resultado no bimestre foi de R$ 11 bilhões com crescimento de 10,9% sobre 2010.
Os setores que tiveram desempenho positivo no primeiro bimestre de 2011 contra o mesmo bimestre do ano passado foram máquinas para trabalhar madeira, bombas e motobombas, hidráulica e pneumática, máquinas agrícolas, outras máquinas e bens sob encomenda. Já os que apresentaram um desempenho negativo nesse mesmo período foram válvulas industriais, máquinas-ferramenta, máquinas têxteis e máquinas para a indústria do plástico.
Usinagem Brasil
Segundo os dados apresentados pela Abimaq, o déficit comercial no período já registra US$ 2,4 bilhões (importações de US$ 4,1 bilhões contra exportações de US$ 1,66 bilhão). Na opinião do dirigente, em 2011 o déficit deve dobrar em relação ao ano passado, chegando a US$ 30 bilhões.
No primeiro bimestre de 2011, as importações de bens de capital da China e da Coréia do Sul cresceram, respectivamente, 63,1% e 83,9%, em comparação ao mesmo período de 2010. “Para sobreviver a essa invasão asiática, o setor de máquinas e equipamentos precisa que o governo sejam adotadas medidas emergenciais, incluindo barreiras técnicas, necessárias à proteção da indústria nacional”, disse o presidente da Abimaq. “Precisamos acompanhar o que o mundo todo já faz, dando condições competitivas ao fabricante nacional”.
FATURAMENTO DO SETOR - O faturamento bruto deflacionado do setor de máquinas e equipamentos em fevereiro de 2011 foi de R$ 5,81 bilhões, volume 12% superior ao do mês de janeiro de 2011 e de 11,8% em relação a fevereiro de 2010. O resultado no bimestre foi de R$ 11 bilhões com crescimento de 10,9% sobre 2010.
Os setores que tiveram desempenho positivo no primeiro bimestre de 2011 contra o mesmo bimestre do ano passado foram máquinas para trabalhar madeira, bombas e motobombas, hidráulica e pneumática, máquinas agrícolas, outras máquinas e bens sob encomenda. Já os que apresentaram um desempenho negativo nesse mesmo período foram válvulas industriais, máquinas-ferramenta, máquinas têxteis e máquinas para a indústria do plástico.
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